Nos anos 80, o chanceler alemão Helmut Schmidt afirmava que "os investimentos de hoje são os lucros de amanhã e os empregos de depois de amanhã." Sabemos que a realidade não seguiu essa lógica.
Começa por privilegiar o pensamento de curto prazo; para, em seguida, transformar meios em fins. Durante longo tempo, acreditou-se que o sucesso dependia exclusivamente de uma organização racional.
O crescimento, como um dos principais indicadores de poder, virou também seu sinônimo, uma vez que a capacidade de crescer supõe haver um potencial para sobreviver e vencer na selva competitiva.
Aqueles que defendem uma concepção determinista da ação humana não reconhecem no indivíduo senão um ser social definido e, por conseguinte, determinado por uma situação, funções, relações de poder.
É preciso eficiência para manter a funcionalidade e garantir a sobrevivência do crescimento de fato.
Alçar eficiência ao patamar de princípio independente deságua em resultados potencialmente perigosos.
Numa sociedade onde a evidência do grupo tradicional desapareceu, o vínculo é apenas funcional. A visão das coisas tende a não ser regulada pela experiência, ou pelo choque com a realidade à volta.
Ao contrário do senso comum, não vê mais quem mais se move, e sim o mais capaz de se deter. Algo que podemos experimentar com intensidade nas poucas vezes que nos permitimos alguma pausa.
Novas condições de concorrência, informatização do trabalho, exigência de produção diversificada exigem hoje novo olhar sobre a realidade. Aprender a olhar é fundamentalmente aprender a prestar atenção.
Em contraste com a visão tradicional de que as organizações são empresas racionais e integradas, hoje sabemos que as organizações são formadas por coalizões. Toda coalizão tem de atingir algum tipo palpável de equilíbrio que retrate as contribuições necessárias para sustentar a participação dos envolvidos.
Para entender a origem dos conflitos, os gestores devem prestar atenção à diversidade de interesses. Muitos conflitos organizacionais se cristalizam em estereótipos, rituais e outros aspectos da cultura organizacional.
Construir uma visão compartilhada da realidade - que ajude as pessoas a remar na mesma direção -, é nos dias que correm desafio maior do que foi no passado. O engajamento precisa ser construído. Construir a cooperação necessária depende de inúmeras maneiras do significado do trabalho empreendido.
A responsabilidade de homens e mulheres em equipe deve ser a nova fronteira de gestão, determinada a garantir confiabilidade das instalações empresariais e industriais, em sua generalidade.
Uma gestão ética não se limita à formulação de códigos e de normas de conduta, mas necessita de protocolos de prevenção e controle, de instâncias de regulação, de métodos de correção permanente de erros - auditorias que identifiquem as patologias institucionais, assim como condutas inaceitáveis.
O tipo de tecnologia empregado influencia as relações de poder entre indivíduos e departamentos. Nas organizações em que a tecnologia envolve sistemas mais autônomos de produção e de comercialização, a capacidade de um indivíduo ou grupo influenciar a operação do todo é mais limitada.
Para avançar na solução de problemas, cada vez mais complexos, toda empresa moderna precisa realizar uma avaliação regular de suas atividades, com ênfase na melhoria contínua do fator humano.
* Engenheiro