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A moda com sustentabilidade

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A indústria da moda quer, definitivamente, perder a fama de uma das que mais causam danos ao meio ambiente. O fato é que o setor é um dos maiores do mundo no desenvolvimento econômico e geração de empregos. Por outro lado, também é um dos que mais consomem recursos naturais – sobretudo se considerarmos as fast-fashions e suas demandas constantes por cada vez mais produtos de reposição, a preços de custo cada vez mais baixos.

Visando mudar esse cenário, grandes marcas estão adotando a sustentabilidade em suas produções, buscando utilizar recursos naturais de forma inteligente. Há, inegavelmente, uma grande necessidade de inovação da parte dessa indústria, e as questões que impactam na sustentabilidade devem ser bem planejadas, já que abrangem todo o processo econômico, desde a produção das fibras, passando pelo consumo até o descarte.

Apesar de ser um assunto (o uso de matérias-primas produzidas de forma responsável, sem o uso de química) que já vem sendo discutido há alguns anos em todo o mundo, inclusive no Brasil, muitas empresas do ramo ainda esbarram justamente na dificuldade de encontrar matéria-prima sustentável, o que impacta diretamente no alto custo dessas produções. O algodão orgânico, por exemplo, demora mais para crescer e precisa de colheita manual. Em contrapartida, ele se decompõe de forma mais rápida e natural: um alívio para natureza. Já os tecidos sintéticos são mais baratos, mas podem demorar até 200 anos para se decompor. No Brasil, a maior parte desse material sustentável é importada, e seu manuseio é quase artesanal, tornando a fabricação e o produto final mais caros.

Bem no meio desse turbilhão de conscientização, os designers assumem sua responsabilidade e procuram, cada vez mais, desenvolver e trabalhar com produtos que respeitem a ética e a sustentabilidade ambientais. O foco da ação passa a ser qualidade e não quantidade; trabalhando com a exclusividade e agregando valor à peça. É a ascensão da produção e do consumo conscientes. Se essa atitude ainda encarece o valor final dos produtos, também é esse esforço conjunto dos profissionais criativos do setor que poderá abrir caminho para soluções cada vez mais viáveis financeiramente.

Apesar de ser um processo lento, a conscientização da população sobre a importância do consumo de produtos sustentáveis tende a gerar mais pressão sobre o mercado. O que num primeiro momento pode significar um apelo maior pela elevação de preços (a “gourmetização” da moda), também pode, mais à frente, com a popularização dessa vertente na indústria, promover – esperamos todos – finalmente a baixa no custo final das peças. Algumas marcas nacionais já utilizam parte de seus materiais produzidos por projetos sociais. Grifes de jeans descobriram a reutilização da água. Esses são apenas algns exemplos de que é possível economizar nas várias etapas de produção.

Novas marcas e também consumidores estão adotando o chamado Upcycling, o reúso de materiais têxteis: as peças que seriam anteriormente descartadas são transformadas sem a utilização de química, evitando resíduos poluentes. Em contraste com a reutilização ou a reciclagem, muitas vezes os produtos ganham uma qualidade melhor que a peça original, já que recebem um toque de design visando melhorar o original. É a nova roupa com um custo mais baixo. De produção, ao menos.

*Mestre em Educação; especialista em Design de Moda

**Jornalista