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Barragem Córrego do Feijão

Jornal do Brasil NAIRO ALMERI

O ribeirão Córrego do Feijão dá nome ao arraial e à Mina Córrego do Feijão. A entrada do arraial fica a menos mil metros de onde era a Portaria. Desta vez não foi culpa da CEMIG. Eu ouvia CBN, 12h20, pouco mais, e o rádio ficou sem som. Pouco antes, as cachorras ficaram agitadas e as vidraças fizeram barulho. A luz ameaçou devolver a voz do Carlos Sardemberg. Mas nada.

O vizinho de chácara, Fernando, me indaga, do lado dele, se tinha acabo a luz. Confirmo. De repente ele informa: “Foi na Vale”. Eu brinco: “Então a CEMIG resolve logo!”. Vou pro Facebook e reclamo:”CEMIG DETESTA O CÓRREGO DO FEIJÃO (2)”. Já tinha faltado luz no Natal, na semana passada. E relato que o dia está ensolarado e não venta. Ouço vozes e gritos na rua. Caminho a alameda até o portão. Vejo na rua pessoas desesperadas nos celulares, chorando o nome de pessoas e gritando que barragem da Vale se rompeu (AMIGOS NO RESTAURANTES, RECARREGANDO CELULARES.. COMENDO ALGUMA COISA E VAI NO PORTUGUÊS QUE DER...).

Volto para casa e o Fernando confirma a tragédia. Uma dimensão em vítimas, até às 19h30, sequer os bombeiros dimensionavam. “(Certamente) Supera a Samarco”, disse o tenente Errara, dos bombeiros, ao ser indagado por número de vítimas. Na estavam lotados o restaurante, refeitório e Mecânica (oficina dê manutenção das máquinas). Mas, em mesma área, também com muita gente na Administração e Portaria.

Saí para ouvir e ajudar - conversar com as pessoas e, depois, ajudar a socorrer animais domésticos em propriedade que fica mais próxima onde havia uma lagoa, que, depois, recebeu uma barragem. A jusante, cerca 1,2 km, ficava a Pousada Estância Nova. Primeiras notícias eram de que havia 12 pessoas lá.
Choro, lágrimas... no meio da tarde, congestiono o envio de informações e imagens para as redes sociais e os celulares perdem cargas. Fico sem contato e passo a ajudar as pessoas.



Pessoas do Córrego do Feijão sempre falaram e ouviram falar dos riscos da tragédia. Mas se calam nas audiências públicas, em troca do emprego próprio, marido, mulher e filhos. E o Ministério Público se cala sempre, ou seja, dá o voto silencioso para Cale. Feam e Copam seguem o MP.

O tenente do bombeiro relatou que a Barragem 4 rompeu primeiro. E puxou a Barragem 1. “Tem outra que estamos monitorando agora”, disse, as 18h30. “Mas se houver acidente não atingirá aqui”, assegurou em relação à segurança dos moradores da parte urbana do arraial doCorrego do Feijão. Isso logo após um militar da PM começar a informar que “ todos deveriam evacuar a área (o arraial).

O arraial está sem luz e as autoridades pedem para que a população não consumir a água que está chegando nas casas. O governador de Minas, Romeu Zema, sobrevoou a área. Toda defesa civil do Estado e Brumadinho concentrou o atendimento no Centro Comunitário. O Córrego do Feijão fica a 12 km da sede do município e 43 de Belo Horizonte, pela BR-040, sentido Rio.

*jornalista Nairo Alméri