Simplicidade no presépio e na vida

Já estamos nos preparando para as celebrações de fim de ano. Neste domingo começa o Advento, tempo que nos prepara para o Natal do Senhor. Esse período de esperança nos faz relembrar e reviver as primeiras etapas da História da Salvação, quando os homens e as mulheres se preparavam para a vinda do Salvador, a fim de que nós também possamos preparar, hoje, em nossa vida, a vinda de Cristo.

Deus vem nos salvar e não encontra uma maneira melhor para fazer isso do que caminhar conosco, viver como nós. E no momento de escolher o modo como fazer a sua vida, Ele não escolhe uma cidade grande de um império poderoso, nem uma princesa ou condessa como mãe, uma pessoa importante, não escolhe um palácio de luxo. Parece que tudo foi feito intencionalmente, quase de modo oculto.

Mergulhados na história, inspirados pelos presépios já montados em nossos lares, percebemos que Maria era uma jovem de 16 ou 17 anos, não mais, numa aldeia esquecida nas periferias do império romano; e certamente ninguém conhecia aquela aldeia. José era um jovem que a amava e desejava casar com ela, um carpinteiro que ganhava o pão de cada dia. Tudo na simplicidade, sem chamar a atenção. Inclusive o repúdio – porque eram noivos, e naquela aldeia tão pequena as fofocas se espalhavam – e José percebeu que ela estava grávida, mas ele era justo. Não queria difamá-la, resolveu deixá-la secretamente.

Contudo, o Anjo explicou em sonho este mistério a José: “O filho que ela concebeu é obra do Espírito Santo”. Ao despertar do sono, José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e a recebeu como sua esposa. Mas tudo humildemente. As grandes cidades do mundo nada souberam. E assim Deus habitou entre nós. Se queremos encontrar Deus, devemos procurá-lo na humildade, buscá-lo na pobreza, procurar onde Ele está escondido: nas dificuldades, nos mais necessitados, nos doentes, nos famintos, nos presos.

Jesus, quando nos prega a vida, nos diz como será o nosso juízo. Não dirá: Tu vens comigo porque fizeste muitas ofertas generosas à igreja, és um benfeitor, vem, entra no Céu. Não. A entrada no Céu não se compra com dinheiro. Não dirá: és muito importante, estudaste muito e recebeste muitas honrarias, entra no Céu. Não. As honrarias não abrem as portas do Céu. Que nos dirá Jesus para nos abrir a porta do Céu? “Tive fome e me deste de comer, tive sede e me deste de beber, era peregrino e me recolheste, estive na prisão e foste ter comigo”. Jesus está na humildade.

O amor de Jesus é grande! Por isso, ao olhar o presépio, percebam a simplicidade daquele momento, e assim, vejam qual é o caminho da salvação! Não é o luxo nem o caminho das grandes riquezas, não é a via do poder. É o da humildade. E os mais pobres, os doentes, os encarcerados – diz Jesus – os mais pecadores, ao estarem arrependidos, entrarão no Céu antes de nós. Eles têm a chave. Os que praticam a caridade se deixam abraçar pela misericórdia do Senhor.

Vamos pedir que o Senhor abra a porta do nosso coração, a todos. Todos temos necessidade disso, somos todos pecadores, temos necessidade de ouvir a Palavra do Senhor e que a Palavra do Senhor venha. Que o Senhor nos faça entender que o caminho da presunção, das riquezas, da vaidade, do orgulho, não são caminhos de salvação. Que o Senhor nos faça compreender que o seu carinho de Pai, a sua misericórdia, o seu perdão, existem quando nos aproximamos dos que sofrem, dos descartados na sociedade: ali está Jesus.

* Pároco da Paróquia de São José da Lagoa e reitor do Cristo Redentor