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Combate à fome no Mundo Tropical

Jornal do Brasil EVANDRO GUIMARÃES, evandrog44@gmail.com

Há pessoas que acham que dá tempo para substituir em uma ou duas dezenas de anos a alimentação da humanidade nos trópicos com dietas sem proteínas animais. Eu me atrevo a dizer que não. A produção de alimentos, incluindo as proteínas que consumimos hoje, precisa aumentar muito em uma década. E o mapa da fome se configura cada vez mais no mundo tropical ou sub tropical. Várias inovações na tecnologia e no processamento de alimentos vão promover grande alteração na dieta, com certeza.

Não imagino que passaremos a consumir principalmente insetos como substituto proteico. Certamente, as variedades vegetais poderão suprir uma parte da demanda substitutiva. Para isso, precisamos começar a trabalhar. Assuntos colaterais precisam de debate e ação. Exemplo, preservar e recuperar a vegetação em maciços heterogêneos - mesmo que sejam pequenos e sejam milhões – é essencial e estamos atrasados.

Vegetação com diversidade ajuda na produção e retenção de água e parece muito necessário para reduzir a dependência da alta utilização de defensivos inclusive em culturas de hortaliças, frutas legumes etc. Está tudo muito relacionado, preservação, replantio, água, culturas sustentáveis.

Ainda assim, o pensamento predominante é de que o consumo de proteína animal ainda vai crescer bastante e, produzir mais será preciso. Como fazer isso, sem provocar a destruição do planeta? A palavra mágica para o qual apelamos sempre é: produtividade. Nesse campo, o Brasil pode fazer algo? Podemos sim: liderar, assumir papel mais relevante. Nesse momento eleitoral e talvez no início do próximo governo só vão ter destaque as grandes medidas para os grandes problemas.

No entanto, o resultado pode vir da soma de iniciativas bem dirigidas, bem sugeridas.Torcemos para que surjam propostas que, embora parciais, deveriam ter algo. Atrevo –me a dar um exemplo: as palavras mágicas para ajudar em parte o grande problema do aumento da produção de proteínas com os lácteos é o nome de uma raça de bovinos desenvolvida no Brasil: Gir Leiteiro. Proveniente da Índia, esse gado tem alta rusticidade e, no nosso país, começa a mostrar enorme capacidade produtiva, em especial no cruzamento com a raça que chamamos de “ holandês”.

Nessa semana acompanhamos importantes especialistas indianos que vieram conhecer a possibilidade de derrubar embaraços burocráticos bilaterais para permitir a importação para a terra matriz desse gado que os brasileiros melhoraram. Entusiasmados com a possibilidade evidente de imprimir mais leite na raça indiana tão tradicional, com velocidade, os especialistas se encantam com a ideia de saltar etapas com genética apurada no Brasil.

Do nosso lado podemos fazer algo muito importante. Quando? Será que o próximo governo se dará conta desse nosso potencial? Nesse exemplo específico não custa sonhar que os novos governantes se dedicarão a problemas gerais como o ajuste fiscal, sem esquecer de políticas setoriais com focos bem definidos e potencial de grande retorno. Iniciativas como estimular a multiplicação do Gir Leiteiro de alto rendimento parecerão “pequenas“, face ao grande mar de problemas estruturais que já enfrentamos? Os políticos vão ficar envergonhados de defender iniciativas muito dirigidas com medo das críticas, apontando sua falta de “visão de conjunto“? Vamos nos ater apenas a grandes lances para soluções milagrosas estruturais e genéricas? Será, mais uma vez , uma pena. Perder tempo em oportunidades evidentes, às vezes, gera grandes perdas, inclusive de vidas.

Atenção próximos governantes: vamos fazer logo uma política pública nesse ponto da pecuária de leite! Será muito bom para o Brasil e o Mundo Tropical.

Atenção produtores de todas as áreas, sugiram projetos para políticas que gerem grandes resultados em curto prazo.

Vamos todos trabalhar pelo Brasil, qualquer que seja o governo. Não há tempo a perder.



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