Academia Brasileira de Letras: uma história de 121 anos

Nascida no fim do século 19, em 20 de julho de 1897, por iniciativa do fluminense de Piraí, Lúcio Eugênio de Meneses e Vasconcelos Drummond Furtado de Mendonça (poeta, contista, advogado, jornalista e magistrado); do pernambucano de Recife, José Joaquim de Campos da Costa de Medeiros e Albuquerque (jornalista, professor, político, contista, poeta, orador, romancista, teatrólogo, ensaísta e memorialista); do carioca Joaquim Maria Machado de Assis (poeta, cronista, contista, romancista, jornalista e teatrólogo); e do mineiro de Ouro Preto, Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior (professor, poeta, historiador e político), fundadores das cadeiras 11, 22, 23 e 36, respectivamente, a Academia Brasileira de Letras (ABL), com sede na capital do Rio de Janeiro, é constituída de 295 imortais, e tem por fim a cultura da língua e da literatura nacional.

São 40 membros efetivos e perpétuos, sendo que 25, pelo menos, devem ser residentes no Rio (Estatuto, art. 1º, § 1º), e 20 membros correspondentes estrangeiros (atualmente com nove de Portugal, quatro da França e um de Moçambique, Romênia, Peru, Japão, Alemanha, Inglaterra e Espanha).

A rigor, o número de membros é completado mediante eleição por escrutínio secreto, exigindo-se, na primeira assembleia, a maioria absoluta dos acadêmicos residentes no Rio (Estatuto, de 28/01/1897, art. 1º, § 2º; art. 5º, parágrafo único).

Por região, os 295 imortais estão assim distribuídos: três do Norte; três do Centro-Oeste; 19 do Sul; 101 do Nordeste; 164 do Sudeste; e cinco estrangeiros (um do Uruguai, dois da França e dois de Portugal).

Na Galeria dos Patronos, as 40 cadeiras estão ocupadas por 13 fluminenses; cinco maranhenses; quatro gaúchos, mineiros e baianos; dois paulistas e cearenses; e um pernambucano, alagoano, sergipano, uruguaio, francês e português. Os imortais fundadores dessas 40 cadeiras são: 18 fluminenses; cinco maranhenses; quatro pernambucanos; três baianos; dois paulistas, cearenses e paraenses; e um sergipano, alagoano, mineiro e português.

Cumpre consignar que, os três únicos imortais da Região Norte do Brasil são do Estado do Pará: os obidenses jornalista, professor, educador, crítico e historiador José Veríssimo Dias de Matos (8/04/1857 – 2/02/1916) e o advogado, professor, jornalista, contista e romancista Herculano Marcos Inglês de Sousa (28/12/1853 – 6/09/1918), além do belenense professor, diplomata, poeta, contista, romancista, biógrafo e ensaísta Osvaldo Orico (29/12/1900 – 19/02/1981).

A título ilustrativo, ademais, a Academia Brasileira de Letras conta tão-somente com oito acadêmicas (2,72%), a saber: Rachel de Queiroz (Ceará), Dinah Silveira de Queiroz (São Paulo), Zélia Gattai (São Paulo) e as atuais membros fluminenses Ana Maria Machado, Cleonice Serôa da Motta Berardinelli, Rosiska Darcy de Oliveira e Nélida Pinõn, e a paulista Lygia Fagundes Telles.

Registre-se, por relevante que, sobre a biografia dos 295 acadêmicos, encontramos 90 diferentes atividades exercidas, destacando-se, sobretudo, com maior número, os 131 jornalistas, 112 professores, 102 poetas, 81 ensaístas, 68 políticos, 65 advogados, 62 escritores, 59 romancistas, 43 diplomatas, 42 críticos, 29 teatrólogos, 27 cronistas, 26 médicos, 25 oradores, 22 juristas, 19 magistrados e 17 memorialistas.

Oportuno registrar, por fim, que a Academia Brasileira de Letras, com 121 anos de existência, não tem nenhum amazonense como imortal.

* Professor do Instituto Federal do Ceará