JB no campo - Agropecuária sustentável

Eis um tema que raramente é bem tratado e coloca os produtores rurais como vilões do meio ambiente. É claro que agricultura e pecuária impactam seriamente o ambiente. Mas, me ocorre que apontar questões isoladamente pode distorcer a compreensão necessária para que todos trabalhem na direção da sustentabilidade.

Apenas como exemplo, na sexta feira li uma matéria com o seguinte título: “Menos carne para sustentar o planeta”. A abordagem é em torno da necessidade urgente de mudar os hábitos alimentares, em especial o consumo de carne. Como é uma tentativa de resumir recente relatório da ONU, é natural que assunto de tal complexidade não possa ser abordado de maneira completa em única matéria, mas podemos sugerir alguns palpites adicionais que deveriam ter espaço nos corações e mentes sempre que se trata de questão importante como a sobrevivência do planeta.

Não me atenho a essa matéria citada, mas acho que qualquer contribuição que possamos dar para a melhor divulgação da sustentabilidade deve ser debatida. Para esquentar o debate: não deveria haver impedimento legal ou auto-regulação de se fazer publicidade que induza a enganos, nessa seara?

É estranho que uma companhia de mineração de porte internacional faça grande publicidade da manutenção de uma “reserva” de algumas centenas de hectares. É apenas uma fazendinha... Enganosa mensagem, falta de proporção, milhões gastos em propaganda na tentativa de recuperar imagem após provocar muitos desastres. Que esperam? Enganar os brasileiros e se mostrar boazinha ou bem intencionada? Que apareça então com preservação de centenas de milhares de hectares. Brincar com a divulgação de assuntos sobre a preservação do ambiente ou do planeta deveria ser proibido. Divulgar esforços de preservação e reflorestamento sugere seriedade para avançarmos.

E também não vale a pena estudarmos a instauração de uma permanente e obrigatória advertência (como na publicidade de cigarros), nos produtos ou nas atividades destrutivas do meio ambiente?

Indústrias poluidoras ou quaisquer outras atividades deveriam se obrigar a alguma tipo de divulgação do dano ou do nível de dano que causam. Neste tempo recheado de fake news, trabalhar por sustentabilidade deve se estender à comunicação correta, contextualizante, verdadeira. Já vi assessoria de imprensa plantando matérias sobre as maravilhas que um fabricante de cervejas faz quanto à água. Não sei se é verdade, mas com certeza é exagerada. Quanto à preservação de nascentes nunca vi campanha séria e tenaz de nenhuma das grandes empresas grandes consumidoras de água. O que vi até agora é derivado de TACs com o Ministério Público e cessam após o prazo de cumprimento do respectivo TAC.

Quanto à agropecuária certamente os produtores rurais precisam tomar a iniciativa de divulgar as atividades que exercem por força do ambiente legal e regulatório ou, por consciência de que a água é preciosa demais para nossa atual desatenção. Mas, não vejo comunicação sobre isso das principais entidades e associações de produtores. Por favor, não vamos confundir os milhões de produtores rurais com os gigantes “ruralistas”... O jornalismo e as agências de propaganda deveriam promover um seminário e discutir a comunicação para a sustentabilidade. Podemos melhorar nosso trabalho.

Os candidatos eleitos e os que disputam o segundo turno poderiam se interessar um pouco mais...