Jornal do Brasil

País - Artigo

O fim do RH tradicional

Jornal do Brasil ROBERTO MADRUGA*

De todas as variáveis que uma empresa possui, as pessoas, sem dúvida alguma, são as mais imprevisíveis e mais subjetivas, contudo são as que respondem mais rapidamente a estímulos e desafios que, se bem gerenciados, levam a importantes resultados, tanto para a companhia quanto para os colaboradores.
É fácil imaginar que uma impressora, 99% das vezes, reage produtivamente ao comando dado pelo usuário, imprimindo um documento de forma padronizada. Esse também era um padrão do ser humano no século passado, pois as pessoas obedeciam cegamente aos comandos impostos pela chefia.
Antigamente, os gestores detinham grande poder sobre seus funcionários, que não eram pagos para pensar e sim para executar tarefas. Portanto, gerenciá-los era mais fácil. Porém, o mundo mudou, mas alguns gestores permanecem no passado.
Da mesma forma como os consumidores se empoderaram e passaram a decidir o futuro das empresas, o mesmo vem ocorrendo com os colaboradores destas que não querem mais ser tratados como “recursos humanos” e sim como seres humanos. A grande questão é que as fórmulas do passado utilizadas pelas empresas não se aplicam mais na atualidade.
Vivemos numa era sem precedentes, na qual a diversidade, o respeito pelo funcionário, o foco no seu desenvolvimento profissional e a busca pelo equilíbrio entre vida pessoal e trabalho passaram a ser mandatórios para qualquer organização que pretende ser bem-sucedida em seu mercado.
Quem acha que trabalhar e se capacitar são coisas diferentes deveria repensar seu conceito sobre ensino e aprendizagem. Nos projetos de educação corporativa que implanto nas empresas é visível o quanto as pessoas aprendem quando as situações que são convidadas a resolver em sala de aula reproduzem o seu dia a dia. Desta forma, os verbos trabalhar e aprender devem ser enxergados como um processo único e contínuo.
Outra tendência é que o aprendizado cada vez mais ocorre em função da conjunção de demandas do colaborador e da empresa, portanto não mais acontece com a linearidade tradicional. Na aprendizagem não linear, as pessoas precisam ser capacitadas nas empresas, não apenas durante os treinamentos formais, mas sim constantemente.
Assim como as empresas se transformaram em organizações orientadas à experiência dos seus clientes, o próximo passo que precisa ser dado para consolidar essa posição é o de permitir a aprendizagem contínua de seus colaboradores, contudo de forma estruturada e mais frequente. Por isso, o ensino nas organizações será cada vez mais multidisciplinar, sendo aplicadas diferentes técnicas como design thinking, gamification, design instrucional, entre outras, que contribuam efetivamente para o processo de aperfeiçoamento do ser humano como um todo.

* Administrador, mestre em Gestão Empresarial, professor de MBA, escritor, consultor



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