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Exportar é preciso

Jornal do Brasil EVANDRO GUIMARÃES, evandrog44@gmail.com

Neste ano escrevemos mais de uma vez sobre a necessidade de termos uma entidade, uma agência, algo assemelhado para promover e fomentar a exportação de derivados de leite. Mais de 200 mil pessoas apoiaram essa ideia, essa necessidade. Vários candidatos assinaram um termo de compromisso para implementar programas de incentivo a exportação. Centenas de milhares de pessoas se interessaram pelo assunto. Reproduzo aqui o que a ABCZ , a GIROLNDO e a ABCGIL divulgaram sobre a essencial necessidade desta iniciativa: é inexorável o crescimento da produção brasileira de leite visto termos hoje o melhor gado rústico produtivo para o mundo tropical. Associado a isso temos novas técnicas de manejo que ampliam de forma importante a produção em especial em grandes propriedades, que passam cada vez mais a produzir maiores volumes em relação ao conjunto da atividade leiteira. Essa tendência e seus efeitos positivos quanto à produtividade, por outro lado, ameaçam centenas de milhares de pequenos e médios produtores caso não aconteça um aumento da demanda. É um problema econômico mas, destaca-se também o componente social. Em milhares de estabelecimentos rurais a produção leiteira é a única que tradicionalmente gera empregos e renda. As Associações demandam um compromisso firme quanto à tendência, antecipando iniciativas que permita ao Brasil exportar derivados de leite em volume importante nos próximos três ou quatro anos. Uma entidade governamental é essencial para mediar os esforços e desembaraço de questões aduaneiras, tributárias, de relações diplomáticas com enfoque comercial, de questões de estabelecimento de protocolos sanitários bilaterais etc etc. Quem vai exportar serão empresas nacionais, laticínios tradicionais, cooperativas. Mas precisamos começar já a gerar expectativas e reformular essas estradas burocráticas e técnicas por onde devem trafegar a exportação de derivados de leite .
Será que vai funcionar? Recentemente o Museu Nacional foi destruído por incêndio . A mídia gritou, uma Agência para reconstruir o museu já foi criada. Não, não pensem que não gosto de museus e, em especial, do Museu Nacional, onde fui dezenas de vezes quando estudava no Rio, na Fundação Getúlio Vargas. Vamos cuidar melhor dos museus. Mas isso impede uma entidade trabalhando 25 horas por dia para exportação de leite? Vai ser tomada uma medida para combater um incêndio silencioso, sem fumaça? Penso que não. Penso que só teremos uma iniciativa para exportar derivados de leite se provocarmos uma comoção junto aos eleitos ao novo Governo. E isso só será feito por produtores. As entidades existentes vão lutar para que não exista uma novidade nessa luta, é claro, defesa natural de espaço ou do que não se pôde fazer até agora. Exportar derivados de leite é preciso, por milhões de empregos. E a luta ainda vai começar.



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