Após assassinato de homem negro, Carrefour anuncia fim da terceirização dos serviços de segurança

O Carrefour anunciou na sexta-feira (4) que não vai mais contratar seguranças terceirizados em todos os supermercados do grupo no Brasil

Folhapress / Carlos Quadros
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A decisão foi tomada após uma sugestão do Comitê Externo e Independente criado pela rede para analisar medidas preventivas após o assassinato de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos, que foi espancado até a morte por dois seguranças terceirizados em uma loja do grupo em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 19 de novembro, véspera do dia da Consciência Negra.

Segundo um comunicado do Carrefour, a internalização dos serviços de segurança será realizada de forma gradual, começando pelos quatro hipermercados no Rio Grande Sul, dentro de um projeto-piloto.

"O novo modelo é o ponto inicial para transformação do seu modelo de segurança e faz parte dos compromissos anunciados pela rede. O processo de recrutamento e o treinamento dos profissionais para as lojas contará com associação que reúne empreendedores negros da região de Porto Alegre", escreveu o grupo.

O Grupo Carrefour é alvo de investigação da Promotoria de Justiça de Defesa dos Direitos Humanos de Porto Alegre e pelo Ministério Público Federal (MPF) para apurar práticas sobre a fiscalização de serviços de segurança contratados e também sobre medidas para o enfrentamento de ações racistas e discriminatórias.

"Todo o processo de internalização da segurança terá como foco a implementação de práticas antirracistas e de uma cultura de respeito aos direitos humanos, além de considerar a representatividade da população brasileira [50% de mulheres e 56% de negros] como um compromisso", disse o Carrefour.

A contratação direta das novas equipes de segurança do Carrefour está em andamento e a admissão dos novos funcionários está prevista para ocorrer no dia 14 de dezembro.(com agência Sputnik Brasil)