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Petrobras vai manter liderança em refino no Brasil após desinvestimentos, diz diretora

REUTERS/Paulo Whitaker -
Refinaria da Petrobras
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A Petrobras <PETR4.SA> vai manter a liderança no mercado de refino, mesmo após a conclusão de seu plano de venda de oito refinarias, que prevê a transferência dos ativos aos compradores em 2021, disse a diretora executiva da Refino e Gás Natural da companhia, Anelise Quintão Lara, em carta a funcionários vista pela Reuters.

A Petrobras divulgou em 26 de abril um plano para vender oito refinarias no Brasil, o que poderia arrecadar até 20 bilhões de dólares, segundo avaliação de uma fonte da empresa.

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Refinaria da Petrobras (Foto: REUTERS/Paulo Whitaker)

Juntas, as refinarias que devem ser negociadas pela estatal, todas fora dos Estados de Rio de Janeiro e São Paulo, somam capacidade total de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, ou metade da capacidade de refino da empresa.

"Eu gostaria de ressaltar que a atividade de refino permanece estratégica para a Petrobras e não pretendemos realizar novos movimentos de desinvestimento neste setor além deste que agora anunciamos", afirmou Anelise na carta, publicada na noite de sexta-feira em canal interno da companhia.

"A Petrobras dispõe de tecnologias, processos e pessoas altamente capacitadas e experientes, que vão permitir que a empresa mantenha a posição de liderança no segmento, mesmo após a entrada de novas companhias no refino, como ocorreu com a área de E&P (Exploração e produção) no Brasil", acrescentou.

A executiva disse que a divulgação oficial do desinvestimento ocorrerá no final do primeiro semestre, com "etapas subsequentes" entre o segundo semestre deste ano e o primeiro semestre de 2020.

"Depois disso, as refinarias, cuja negociação for bem sucedida, serão separadas do nosso parque de refino e vão se transformar em empresas independentes. Será iniciada, então, a fase de transferência da operação e o fechamento do negócio, o que deverá ocorrer em 2021", explicou.

Segundo a diretora, após a venda de cada refinaria haverá um período de transição, cuja duração será negociada, até a transferência completa da operação ao comprador.

Em meio a esse processo, acrescentou, a Petrobras prevê oferecer "um cardápio de opções" aos empregados da área de refino, que devem ser impactados pelos desinvestimentos.

"Já há um Programa de Desligamento Voluntário (PDV) anunciado pela companhia e outras opções também surgirão, como a realocação interna, conforme interesse da companhia, plano de desligamento via acordo, existindo ainda a possibilidade de o empregado migrar para as novas empresas de refino que serão constituídas", afirmou.

Na carta, a diretora defendeu ainda que "os desinvestimentos em refino abrirão caminho para uma Petrobras mais sustentável" e informou que irá visitar, nas próximas semanas, todas as refinarias para discutir resultados, planos e estratégias para o futuro.

Os ativos de refino incluídos no programa de desinvestimento são Abreu e Lima (Rnest), Unidade de Industrialização do Xisto (Six), Refinaria Landulpho Alves (Rlam), Refinaria Gabriel Passos (Regap), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), Refinaria Isaac Sabbá (Reman) e Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (Lubnor).

Analistas e especialistas do setor dizem que, embora os desinvestimentos ajudem a Petrobras a sustentar suas finanças, podem falhar na tentativa de criar um mercado de refino competitivo no Brasil, uma vez que os principais mercados do país ficarão ainda nas mãos da empresa.