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Bolsonaro viaja para Israel sem promessa de mudar embaixada

Visita do presidente ao país asiático começa nesta sábado e vai durar três dias

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O presidente Jair Bolsonaro embarca neste sábado (30) para Israel, país considerado um importante aliado do seu governo. A viagem durará três dias e a polêmica ideia de transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém será o grande destaque da visita.

No entanto, Bolsonaro poderá frustrar os planos do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, já que o chefe de Estado brasileiro declarou nesta quinta-feira (28) que "talvez" abrirá apenas alguns "escritórios de negócios" em Jerusalém. A troca de sede da embaixada foi uma promessa que o presidente fez logo após ser eleito.

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Jair Bolsonaro (Foto: Marcos Corrêa/PR)

"O Trump levou nove meses para decidir, para dar a palavra final para que a embaixada fosse. Nós talvez abramos um escritório de negócios em Jerusalém", declarou Bolsonaro.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, disse que o governo está "estudando" a mudança da embaixada.

A transferência da embaixada brasileira, que não foi completamente descartada, poderá enfurecer a comunidade árabe e as possíveis retaliações preocupam a equipe econômica do governo.

As nações da região são grandes compradoras de carne e açúcar do Brasil. Além disso, em 2018, as exportações brasileiras para os países árabes foram de US$ 11,5 bilhões, já as importações somaram US$ 7,6 bilhões, segundo dados do governo.

A viagem deverá ficar marcada também por protestos contra a presença de Bolsonaro em Tel Aviv. Pelo Facebook, ao menos duas manifestações foram marcadas e centenas de pessoas já confirmaram presença nos atos.

Uma delas está prevista para acontecer no domingo (31), algumas horas depois da chegada de Bolsonaro, na frente da embaixada do Brasil na capital de Israel. O protesto foi organizado pela Associação Pró-LGBT, ONG israelense que defende os direitos dos homossexuais.

Já a segunda manifestação foi convocada por diversos grupos judaicos brasileiros. O ato está previsto para ser realizado no dia 2 de abril, em Jerusalém.

Durante a visita oficial, Bolsonaro também deverá condecorar os 136 israelenses que ajudaram nas operações de busca e resgate das vítimas de Brumadinho, em Minas Gerais. O presidente concederá a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta condecoração brasileira para estrangeiros.

Os dois países não forneceram mais detalhes sobre os assuntos que serão discutidos durante a visita. No entanto, o Brasil deverá deixar mais forte suas exportações, além de concluir negócios para usar tecnologias de ponta de Israel.

Já para o premier israelense, a visita de Bolsonaro será importante para mostrar o apoio de uma grande nação às vésperas das eleições legislativas do dia 9 de abril, contra o centrista e ex-comandante do Exército Benny Gantz.

 

Nas redes sociais, o presidente falou sobre a viagem para Israel: