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Delação da OAS atinge 21 políticos

Ex-funcionários da empreiteira delataram sistema de propinas e repasses de Caixa 2 no valor de R$ 125 milhões

Marcelo Camargo/Agência Brasil -
Aécio Neves - R$ 1,2 milhão de Caixa 2
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Pelo menos 21 políticos de oito partidos receberam repasses de caixa dois e cerca de R$ 125 milhões em propinas da OAS, distribuídos entre 2010 e 2014. A revelação foi feita ontem pelo jornal 'O Globo', após quebra de sigilo de delação homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado.

Oito ex-funcionários que atuavam na "Controladoria de Projetos Estruturados", o departamento clandestino da empreiteira, explicaram, em delação, como funcionava o sistema de propinas da OAS. Os funcionários do setor revelaram os nomes dos políticos, as campanhas financiadas irregularmente, as obras superfaturadas para alimentar o caixa clandestino da empreiteira e o método de funcionamento do esquema.

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Aécio Neves - R$ 1,2 milhão de Caixa 2 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A OAS, empreiteira com contratos bilionários no Brasil e no exterior, teria feito o repasse para uma série de partidos com alguns fortes nomes da política no país, como o senador Jaques Wagner (PT) e o ministro Vital do Rêgo, do Tribunal de Contas da União (TCU), além do ex-governador Fernando Pimentel (PT-MG), do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e do ex-ministro Edison Lobão (MDB-MA). Vários outros teriam recebido caixa dois, entre eles o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o senador José Serra (PSDB-SP), o deputado Aécio Neves (PSDB-MG), o ex-prefeito Eduardo Paes e o ex-governador Sérgio Cabral. Eles refutaram as acusações ou negaram-se a comentá-las.

O jornal teve acesso ao relatório de 73 páginas da Procuradoria-Geral da República (PGR) em que a procuradora-geral, Raquel Dodge, resume os 217 depoimentos e pede providências ao ministro Edson Fachin, relator da Operação Lava-Jato no Supremo.

"Nestes autos, há narrativa de diversos fatos que podem constituir infrações penais, dentre eles o pagamento de vantagens indevidas a parlamentares federais. Para facilitar a análise dos documentos coligidos e a definição de competência do Supremo Tribunal Federal ou de outros órgãos da jurisdição, segue o resumo de cada termo de declaração e da providência ora solicitada", escreve Dodge.

Também há uma lista de burocratas de estatais, integrantes de fundos de pensão, empresários e doleiros que também são citados como beneficiários de dinheiro do setor. O esquema ilegal da construtora envolvia o superfaturamento de obras famosas, como estádios da Copa de 2014, a transposição do Rio São Francisco, o Porto Maravilha, no Rio, e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, além de empreendimentos no exterior. Uma parte desses recursos extras seria posteriormente repassada aos políticos.

O relatório detalha ainda que a OAS assinava contratos frios com empresas de fachada, no Brasil e no exterior, para esquentar o dinheiro. Um dos principais operadores desse caixa era Alberto Youssef, doleiro preso pela Lava-Jato, que, em 2014, fechou delação premiada e começou a revelar as relações criminosas da empreiteira com políticos.