Mesmo com o Novo, quem manda em Minas é a velha política

Romeu Zema declarou, em campanha, que se eleito reduziria de 21 para oito o número de secretarias. Nomeou 12 secretários. Prometeu, também, que os secretários e o primeiro escalão seriam nomeados por critérios técnicos e que os escolhidos seriam selecionados por empresa de "head Hunter", baseados em curriculum vitae e experiencia profissional.

Bastou tomar posse para Zema mostrar que "de novo, o novo é velho". Propondo e prometendo uma "nova política", elegeu-se com expressiva votação. Eleitoralmente, derrotou a oligarquia tucana, destruiu velhas carreiras políticas, mas deixou sobreviver, com sua vitória, o que há de mais retrógrado no poder em Minas Gerais, nomeando as velhas raposas envolvidas com corrupção e com a falência financeira do segundo maior PIB do país.

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Custódio Mattos (esq.), acusado de corrupção no governo Aécio, agora serve a Zema (Foto: Reprodução Youtube)

A seleção e a escolha de seu secretariado não foi realizada somente por critérios técnicos. Como antigamente, foi imposta e acatada por Zema: poder político.

Dos 12 secretários nomeados por Zema, oito foram membros importantes nas administrações tucanas, sob o comando de Aécio/Anastasia. Se ainda for considerada a ex-secretária de Planejamento de Aécio e Anastasia, Renata Vilhena, atualmente consultora do "governo novo", o número de tucanos sobe para nove.

Mas o símbolo da força política tucana no governo se encontra em Paulo Brant, vice-governador eleito com Zema, que ocupou durante dois anos a Secretaria de Cultura do governo Aécio.

Um outro integrante tucano, Custódio Mattos, ex-secretário de Desenvolvimento Social de Aécio, foi nomeado por Zema secretário da Casa Civil. Custódio foi denunciado por corrupção com comprovação de cheque depositado em sua conta, cujos recursos são oriundos da famosa lista de Furnas em que Dimas Toledo era o operador do PSDB.

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Romeu Zema (Foto: Gil Leonardi/Imprensa MG)

O atual secretário de Saúde, Wagner Eduardo Ferreira, foi Secretário-adjunto do governo Anastasia. Marco Aurélio Barcelos, atual secretario de Infraestrutura, foi diretor da unidade de PPP no governo do PSDB. E Germano Luiz Gomes ocupou o pomposo cargo de diretor de Prevenção e Combate à Corrupção da Controladoria Geral do Estado de Minas Gerais.

Para consolidar a política do velho poder, Romeu Zema indicou Cledorvino Belini para presidente da Cemig, a mais importante estatal de Minas Gerais. Belini foi presidente da Fiat e é, também, conselheiro da Odebrecht e do grupo JBS. Os mineiros o responsabilizam por ter levado, da montadora, Jeep para a Bahia.

A redução do número de secretarias resultou em uma furada estratégia de marketing. Minas quebrou no governo Aécio/Anastasia. Com obras faraônicas, como o Palácio Tancredo Neves, nova sede do governo do estado, o governo não tem recursos para pagar, sequer, a folha, devendo entrar em colapso no próximos 60 dias. E os mesmos políticos que ajudaram a quebrar o estado são os mesmos nomeados por Romeu Zema.

Em Minas, novo, mesmo, somente as mortes geradas pela Vale, mas que Zema considerou um "incidente". Vale da morte, esse é o nome da empresa que retira a riqueza do solo e deixa a poeira e a lama do subdesenvolvimento para os mineiros. E essa "Vale da Morte" é quem, há décadas, financia o que existe de mais retrógrado e corrupto na política mineira.

E Romeu Zema já deu provas de que em Minas nada é novo. A começar pelo próprio governador.



Custódio Mattos (esq.), acusado de corrupção no governo Aécio, agora serve a Zema
Romeu Zema
Gilberto Menezes Côrtes