Marcola e líderes do PCC são transferidos para federais

Forças Armadas reforçam segurança de presídios no RN e RO

O governo de São Paulo transferiu 22 presos ontem para penitenciárias federais. Segundo o governo, todos são líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Os detentos estavam no presídio de Presidente Venceslau, no interior do estado. Entre os transferidos, está Marcos Hebas Camacho, o Marcola, considerado o principal líder da organização criminosa.

No pedido formulado à Justiça pelo Ministério Público de São Paulo (MP), os promotores argumentam que investigações apontam para a existência de planos para tentar libertar Marcola. "Os alvos da ação já teriam gasto dezenas de milhões de dólares nesse plano, investindo fortemente em logística, compra de veículos blindados, aeronaves, material bélico, armamento de guerra e treinamento de pessoal", diz o documento.

O resgate estaria sendo planejado, de acordo com o MP, por Gilberto Aparecido dos Santos, um aliado de Marcola conhecido como Fuminho. Gilberto fugiu da Casa de Detenção de São Paulo em 1999 e, segundo as investigações, está atualmente estabelecido na Bolívia, de onde envia armas e drogas para o Brasil e outras partes do mundo.

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O Governador João Doria e a cúpula da segurança pública do Estado se reuniram ontem (Foto: Diogo Moreira/Divulgação Governo de São Paulo)

Os promotores argumentam ainda que a transferência dos líderes do PCC vai dificultar a articulação do grupo criminoso. "O afastamento e isolamento inédito da liderança da facção de suas bases criminosas e de seus faccionados comandados, e portanto, de sua "zona de conforto", dificultando assim que as ordens cheguem a outros faccionados", diz o pedido.

A ação integra diversos órgãos estaduais e federais: as secretarias de Segurança Pública e de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, a Força Aérea Brasileira (FAB), o Exército Brasileiro, a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Em novembro do ano passado, a Justiça havia autorizado, a pedido do MP, a transferência, de outros cinco líderes do PCC para presídios de segurança máxima federais.

100 mil policiais em alerta

Com a transferência da cúpula do PCC, o comando da Polícia Militar de São Paulo colocou ontem em alerta 100 mil policiais em todo o Estado. Todas as viaturas foram alertadas e aos policiais de folga e da reserva foi pedido que redobrem os cuidados. Para a transferência dos criminosos, a PM bloqueou estradas com a Polícia Rodoviária e até caminhões do Corpo de Bombeiros foram utilizados.

O governo federal soltou um decreto específico autorizando o uso das Forças Armadas no entorno de presídios federais de Rondônia e Rio Grande do Norte para garantir a segurança das unidades prisionais para onde irá parte de cúpula do PCC. O documento é assinado pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo ministro do gabinete de Segurança Institucional, General Heleno, pelo ministro da Defesa Fernando Silva e pelo ministro da Justiça Sergio Moro.