PT convida Haddad para liderar suas ações

Ex-prefeito de São Paulo vai coordenar oposição a Bolsonaro

O PT convidou Fernando Haddad, candidato a presidente nas eleições, para coordenar o conselho que vai articular a oposição ao governo Bolsonaro e ser o porta-voz do partido. Após obter 47 milhões de votos e conquistar eleitores para além do espectro petista, Haddad vem despontou como a principal liderança, especialmente depois que a esperança de ver o ex-presidente Lula solto é cada vez menor. “Nós entendemos que o Haddad tem condições de vocalizar esse nosso ato de oposição e ser o porta-voz não só do partido, mas de todo o setor democrático que votou nele e que não aceita as políticas que governo está aplicando”, disse o ex-ministro Gilberto Carvalho.

Formado pelo Diretório Nacional, Fundação Perseu Abramo, Instituto Lula e as bancadas no Congresso, o conselho vai atuar a partir dos Núcleos de Acompanhamentos de Políticas Públicas (NAPPs), criados para monitorar cada ação do Executivo, denunciar e propor alternativas. Segundo a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, os núcleos irão sustentar a intervenção da legenda e o programa de governo de Haddad será a base para contrapropostas. Para retomar o diálogo com a sociedade, no estilo defendido pelo rapper Mano Brown, o PT vai retomar as andanças pelo país com a agora chamada Caravana Lula Livre e pelos Direitos do Povo.

As decisões foram tomadas pela Executiva Nacional do PT, que se reuniu no fim de semana para discutir os rumos da legenda. O debate ocorre no momento em que o partido completa 39 anos e vê o seu maior líder, o ex-presidente Lula, ser condenado pela segunda vez. Para o PT, o novo governo representa uma “mudança de regime”, ultraliberal na economia, militar/policial em relação à oposição e movimentos sociais e ideológico nos costumes.

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Escolha de Haddad foi decidida na reunião da Executiva do PT, no fim de semana (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

“É preciso fazer uma oposição dura mesmo que corramos o risco de sermos considerados radicais. É tempo de dizer não e trabalhar com o povo pedagogicamente para que as pessoas abram os olhos para além dos Fake News, e que a realidade se imponha e o povo comece a perceber qual é a verdadeira intenção do governo. Temos um trabalho imenso de fazer a resistência, mas ao mesmo explicar para o povo”, diz Gilberto.

Segundo ele, a decisão de manter o bordão “Lula Livre” é porque não é possível dissociar a prisão do ex-presidente aos “direitos do povo”. “Lula está preso para não dificultar a implantação desse novo regime. O povo tem que entender que nos não estamos lutando só para o Lula sair de lá, não é uma luta pessoal”, explica. Gleisi afirma que o partido não quer “hegemonismo” e está sendo organizado um seminário do PT, PSB, PC do B e PSOL para debater e criar saídas à reforma da Previdência e segurança pública do governo Bolsonaro. Além de usar as caravanas para ter “contato direito com o povo”, o partido está remodelando a sua comunicação para torná-la “mais ousada”, reforçando inclusive o uso do YouTube e do WhatAspp.

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