ASSINE
search button

Boechat morre em acidente aéreo

Helicóptero em que viajava o jornalista perde controle e bate de frente com caminhão em rodovia de SP

Paulo Guereta -
O caminhão que acabava de sair da praça do pedágio no Rodoanel atingiu em cheio o helicóptero que tentava um pouso de emergência
Compartilhar

O jornalista Ricardo Eugênio Boechat, de 66 anos, morreu na queda de um helicóptero, em São Paulo, no início da tarde de ontem. Com problemas durante o voo, o piloto da aeronave ainda tentou um pouso de emergência em uma alça de acesso do Rodoanel à Rodovia Anhanguera, mas acabou colidindo de frente com um caminhão. Ainda não se sabe qual foi o problema no helicóptero.

Em uma declaração emocionada nas redes sociais, a mulher do apresentador, a jornalista Veruska Seibel Boechat, postou: "Pior dia da minha vida". Veruska também comentou uma conversa com o apresentador, ontem, quando disse que "ele queria almoçar em casa". Ricardo Boechat voltava de uma palestra em Campinas, no interior de São Paulo.

Macaque in the trees
O caminhão que acabava de sair da praça do pedágio no Rodoanel atingiu em cheio o helicóptero que tentava um pouso de emergência (Foto: Paulo Guereta)

Minutos após o acidente, o Corpo de Bombeiros informou que duas pessoas tinham morrido na queda. A confirmação de que o jornalista era um dos ocupantes veio cerca de uma hora depois. A outra vítima fatal é o piloto Ronaldo Quattrucci, que era sócio-proprietário da empresa à qual a aeronave estava registrada. O motorista do caminhão, João Francisco Tomanckeves, de 52 anos, morador de Caxias do Sul, teve apenas ferimentos leves. Em depoimento à polícia, o motorista relatou que estava saindo da praça do pedágio, na faixa da cobrança expressa, quando viu a aeronave, mas não teve tempo para frear ou desviar.

A confirmação da morte do jornalista veio da direção de jornalismo da Band. Ele estava voltando de Campinas, onde tinha ido dar uma palestra no Centro de Convenções do Royal Palm Plaza para 2,7 mil pessoas, o evento era promovido pela empresa farmacêutica Libbs, que seria a responsável pelo transporte de Boechat. Procurada, a empresa disse que estava apurando as informações e que se posicionaria em breve.

Acidente

Pessoas que estavam próximas ao local do acidente contam ter visto uma movimentação estranha do helicóptero antes da queda. O operador de máquinas Marcio Manoel da Silva Santos, de 34 anos, testemunhou o acidente. "Estava na rodovia na moto, com minha mulher na garupa. O helicóptero já estava voando baixo. Ela disse que ia cair, mas não acreditei", disse. "Mas depois, olhando pelo retrovisor da moto, vi quando caiu. Primeiro, o helicóptero bateu no caminhão. Depois, bateu no chão e explodiu", afirmou.

"Eu vi o helicóptero baixo, com a hélice quase parando, rodando de um jeito estranho. O helicóptero bateu no caminhão e depois explodiu", disse Orlando Vieira da Silva, de 30 anos, morador da comunidade Vila Sulinas, às margens da rodovia.

Em nota, a Força Aérea Brasileira disse que investigadores do 4º Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos já iniciaram o processo de investigação com a coleta de dados. Eles fotografaram cenas, retiraram partes da aeronave para análise, reuniram documentos e ouviram relatos de testemunhas.

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também vai apurar a situação do serviço prestado pela empresa proprietária do helicóptero, que, segundo a Anac, não tinha autorização para realizar transporte de passageiros remunerado. "A empresa possui autorização da Anac para prestar Serviços Aéreos Especializados, que incluem aerofotografia, aeroreportagem, aerofilmagem, entre outros do mesmo ramo. (...). Qualquer outra atividade remunerada fora das mencionadas não poderia ser prestada", diz a agência, em nota.

A Anac adianta, no entanto, que a aeronave estava em situação regular, com o Certificado de Aeronavegabilidade válido até 2023 e a Inspeção Anual de Manutenção (IAM) em dia.

Tags:

boechat | morte