Boris Fausto: PSL é uma salada

Para o historiador e cientista político Boris Fausto, o Brasil nunca esteve tão dividido como hoje e a existência de diferentes visões deve se refletir no Congresso que tomou posse na sexta-feira. “Houve divisões na sociedade no passado, mas nesse grau e nessa consistência, nunca tivemos.”

Ele disse ver no próprio PSL – partido do presidente Jair Bolsonaro –, que elegeu a segunda maior bancada da Câmara (52 deputados), uma “salada composta de muitos elementos”. “Tem muita gente nova e não sabemos se vão se comportar maciçamente votando sempre a favor do governo”, afirmou.

Na avaliação de Boris Fausto, é preciso acompanhar o que vai fazer essa grande bancada do PSL. “Tem muita gente nova e não sabemos se vão se comportar maciçamente votando sempre a favor do governo, ou se uma parte terá independência em casos que contrariem sua opinião. Os sinais indicam que é uma salada composta de muitos elementos, sem unanimidade “.

Para ele, os votos do PSL, aparentemente, não são garantidos. Além disso, ressalta o historiador, é preciso entender as nuances da direita que chegou ao poder. “ Figuras até então inexpressivas ou não consideradas surgem e passam a pesar no jogo político e nas ideias.

Boris Fausto também se mostra preocupado com a excessiva divisão da sociedade. “É saudável haver disputas, conflitos e opiniões divergentes na sociedade desde que tenham um mínimo denominador comum e que pelo entendimento cheguem a algum consenso. Quando não há isso, não tem diálogo. Houve divisões na sociedade brasileira no passado, mas nesse grau e nessa consistência, nunca tivemos”, diz ele.

Mas acredita que no Congresso acabe prevalecendo o espírito de corpo dos parlamentares. “O clima de divisão profunda na sociedade deve se refletir no Congresso. Mas, ao mesmo tempo, existe no Congresso um “espírito de corpo” entre os membros. Muitos entram com o furor de mudar tudo que é possível, mas depois entram na engrenagem, mesmo com opiniões diferentes, daquela corporação. É natural”. Para ele, a oposição a Bolsonaro tem de ser de combate responsável e de reconstrução. “Não é oposição por oposição, a favor de que nada dê certo, mas de vigilância”.