Maia é reeleito com folga na Câmara

O deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) se reelegeu ontem, com 334 votos – 77 a mais do que o necessário para vencer ainda em primeiro turno – e assume seu terceiro mandato consecutivo à presidência da Câmara. O parlamentar fluminense, que ficará no cargo por mais dois anos, promoveu uma intensa articulação que foi da direita à esquerda e reuniu o apoio de 21 partidos, rachando a oposição com a adesão do PCdoB e do PDT. O cargo de presidente da Casa é de extrema importância, pois cabe a ele controlar a pauta do plenário e analisar pedidos de impeachment do presidente da República, além de ser o terceiro da linha sucessória do comando do país.

Maia defendeu as reformas e disse que a modernização precisa ser um “mantra” no país. Segundo ele, o Brasil foi “capturado por interesses de corporações públicas e privadas”, o que comprometeu as despesas e deixou o país sem capacidade de investimento. “De cada R$ 100 do nosso orçamento, R$ 94 são de despesas obrigatórias que não podemos cortar. E se organizarmos a despesa, vamos enfrentar essa extrema pobreza vergonhosa e garantir recursos para saúde, educação e para a segurança pública”, disse.

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Presidente da Câmara, Rodrigo Maia, é abraçado pelo chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

A posse dos novos deputados lotou o plenário da Casa em um clima de torcida – enquanto o PSL entoava a saudação “Deus acima de tudo”, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) foi vaiado. O PSOL, que dobrou a bancada, levantou cartazes em homenagem à vereadora Marielle Franco, e o PT defendia “Lula Livre” e a CPI do Queiroz, em referência ao ex-assessor do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Para garantir a reeleição, Maia fez uma intensa negociação com promessa de cargos na Mesa Diretora e presidências de comissões e afastou o risco de os partidos de esquerda formarem um grande bloco, que reuniria legendas de centro como MDB, PP e PTB, mas que acabaram aderindo ao demista. Por fim, Maia reuniu no bloco 300 deputados e o PCdoB e PDT com mais oito partidos formaram um segundo grupo de apoio a ele com 105 parlamentares.

PT, PSB, PSOL e Rede montaram um terceiro bloco puro de oposição com 97 deputados, que será mantido para atuação política no enfrentamento ao governo Bolsonaro. Outros seis candidatos disputaram, com o deputado Fabio Ramalho (MDB-MG) obtendo 66 votos e Marcelo Freixo (PSOL-RJ), 50.