Renan é o nome do MDB para o Senado

Senador alagoano vence por 7 a 5 indicação para disputar eleição

O Senado será hoje palco da eleição mais inusitada da história, no período pós-Nova República. Tendo o veterano Renan Calheiros (MDB-AL) como personagem central da disputa, os demais candidatos invocarão a questão de ordem para forçar a votação aberta e assim intimidar aqueles que pretendem votar no alagoano mesmo usando o discurso do fim da velha política.

Ontem à noite, em uma acirrada disputa interna da bancada com Simone Tebet (MS), Renan saiu vencedor, por 7 a 5. Um dos integrantes da bancada, Jarbas Vasconcelos (PE), que havia prometido voto a Simone, não compareceu à reunião. Assim que terminou a reunião do MDB, o presidente Jair Bolsonaro ligou para parabenizá-lo e pedir uma conversa na próxima semana.

Simone Tebet comentou que a ausência do pernambucano foi decisiva já que o sétimo sanador a votar em Renan “mudou de ideia para não empatar o resultado” e assim levar a disputa para um segundo round.

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Eleição para a presidência do Senado acontece hoje após a posse dos parlamentares. Renan Calheiros (MDB) é o favorito (Foto: Reprodução)

Simone descartou lançar uma candidatura avulsa, mas deixou escapar que “de hoje para amanhã muita coisa pode acontecer”. “Eu não sou candidata de mim mesma. Todos os partidos têm candidatos. A minha candidatura só complicaria o processo. Então, de hoje para amanhã muita coisa pode acontecer, mas neste momento não há espaço para a minha candidatura porque não tem um partido que venha a me acompanhar”, disse.

Ao menos oito candidatos disputam a Presidência da Casa, mas alguns deles, como o Major Olímpio (PSL-SP) e Tasso Jereissati (PSDB) estavam dispostos a renunciar em prol da candidatura de Simone, ainda que avulsa.

Ontem, o grupo de postulantes – com exceção de Renan – se reuniu pela manhã e à tarde, na tentativa de formatar a candidatura única para enfrentar o adversário emedebista. Mas não houve consenso porque uma parte deles defendia que, para apoiar o nome da senadora, seria necessário que ela deixasse o partido, o que ela não aceitou. Embora Simone afirme que não há tempo hábil para novas negociações, ainda há chance de alguns dos candidatos renunciarem e apresentarem o nome de Simone, mesmo que ela se mantenha no partido de Renan.

Além da votação aberta, a ala anti-Renan pretende pedir a votação em dois turnos. Assim, ainda que Renan alcance os 41 votos necessários hoje para vencer, o segundo turno estaria garantido. O Regimento Interno do Senado prevê votação secreta e eletrônica. Por isso, o presidente do STF, ministro Dias Toffoli, deliberou que a votação deveria ser secreta, derrubando decisão anterior de Marco Aurélio Mello pela votação aberta.

No entanto, o entendimento a ser colocado não apenas pelos candidatos como por lideranças de outros partidos é que o plenário é soberano e, decidindo a maioria pelo voto aberto, será possível fazer a modificação. “Todos os senadores que estavam na reunião se definiram por voto aberto e pela decisão em dois turnos”, disse Reguffe (Sem partido-DF). Além de Renan, são candidatos Major Olimpio (PSL-SP), Angelo Coronel (PSD-BA), Davi Alcolumbre (DEMAP), Alvaro Dias (Pode-PR), Tasso Jereissati (PSDB-CE), e Esperidião Amin (PP-SC) e Reguffe.