Senador Reguffe lança candidatura avulsa

Sem partido, político do DF diz que Senado é uma Casa muito cara

O senador José Antônio Reguffe (DF) surpreendeu mais uma vez e lançou seu nome à presidência do Senado, sem ao menos ter um partido que o sustente. Conhecido por ter aberto mão das verbas a que tem direito, Reguffe pretende fazer disso a sua bandeira de campanha.

Ele admite ter poucas chances de se tornar o próximo presidente do Congresso, mas vai manter a candidatura avulsa para colocar o tema da gastança do dinheiro público e outros privilégios de políticos na pauta de discussão.

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Senador José Antônio Reguffe (Foto: Luiz Alves /Agência Câmara)

“O Senado é uma das casas legislativas mais caras do mundo e isso não vai mudar apenas com palavras, mas com atitudes, exemplos e se cortando na carne”, diz, por meio de nota, o candidato, que se considera a exemplo de que é possível legislar sem muito dinheiro. “Só a economia direta do meu gabinete aos cofres públicos é de R$ 16,7 milhões. Sem contar a indireta, como gasolina do carro que abri mão, encargos sobre salários de servidores não contratados. Só essa economia direta multiplicada por 81 daria mais de R$ 1,3 bi”, atesta.

Cortejado por diversas legendas de centro-esquerda, como o PDT, Rede, PSB e PSDB, Reguffe se diz insatisfeito com o sistema político, por isso, desde 2015 quando deixou o PDT, está sem partido e assim pretende permanecer até quando for possível. Seu nome é cotado para a corrida ao governo do Distrito Federal em 2022.

A decisão de Reguffe pegou de surpresa até mesmo os integrantes do bloco recém-lançado “Senado Independente”, que até sexta-feira negociavam o seu ingresso. “[A candidatura] surpreendeu. Ele chegou a participar de três das nossas reuniões e não nos falou”, comentou ontem o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que vem coordenando as reuniões para formação da frente, composta por PDT, PSB, PPS e Rede.

Os parlamentares o haviam convidado para compor o grupo, contanto que se filiasse a um dos partidos para que, aumentando a bancada de 14 para 15 integrantes, o bloco tivesse mais força. Reguffe não deu uma resposta conclusiva mas, ontem, oficializou a sua candidatura avulsa.

Randolfe comentou que Reguffe “é um bom candidato”, mas salientou que o bloco pautará a decisão de apoio a um dos nomes que hoje existem pelo programa que apresentar, a partir dos critérios de “renovação, que foi soprada nas eleições de outubro”.

Nem a Constituição nem o regimento interno do Senado proíbem que um senador sem partido lance seu nome, mas ambos recomendam, “preferencialmente”, que a Mesa Diretora seja escolhida de acordo com a lógica da proporcionalidade, ou seja, a maior bancada ganha a presidência.

Os temas da ética na política e o corte de gastos acompanham Reguffe desde o seu mandato de deputado na Câmara do DF, iniciado em 2007. Com esse discurso se elegeu em 2011 como o deputado federal proporcionalmente mais votado do Brasil. No dia da posse, assinou vários ofícios formalizando a renúncia a privilégios em caráter irrevogável, gesto que se repetiu em 2014.