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Ameaças ao favorito

Rodrigo Maia já tem apoio de 11 partidos à reeleição na Câmara, mas há deputados rebeldes

José Cruz/Agência Brasil -
Rodrigo Maia
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O atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), conseguiu, até ontem, alcançar o apoio de 11 partidos à sua recondução ao cargo. Depois da adesão do PSL, o partido oficial, somaram-se ao Democratas o PSD, PR, PPS, PRB, PROS, Podemos, PSC, PSDB e Solidariedade.

Juntas, essas bancadas possuem 255 deputados, apenas dois a menos que o necessário para Maia ganhar a eleição no primeiro turno. Mas, como é grande a divisão dentro dos próprios partidos, diz-se que muitos parlamentares não seguirão a orientação de seus líderes. Por sua vez, os partidos de esquerda, que ensaiavam o apoio a Maia, recuaram depois da caracterização de uma chapa com viés governista e devem articular um bloco de oposição.

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Rodrigo Maia (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

“Qualquer possibilidade de apoio a Rodrigo Maia se esvaiu na semana da posse presidencial, quando os partidos de esquerda verificaram que, caso ele ganhe, a pauta da Casa vai seguir a dinâmica do governo”, aponta o vice-líder do PT, Afonso Florence (BA). Antes do apoio declarado do PSL, o parlamentar tinha simpatia dos partidos de esquerda, como PC do B, PSB, PT, PDT, PSol e o próprio PT, que juntos somam 135 deputados.

Os integrantes dessas legendas devem se reunir na próxima terça-feira. Conversas preliminares entre as lideranças indicam que eles formarão um grande bloco que tende a apoiar um entre os outros candidatos atualmente colocados, para que a corrida eleitoral seja conduzida ao segundo turno. “A maior identidade programática hoje é com o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), mas é preciso avaliar até onde ele pode chegar em termos de votação”, avalia Florence.

“Podemos, inclusive, ampliar esse espectro programático, alcançando um candidato que esteja mais ao centro”, aponta o parlamentar, citando os nomes de Arthur Lira (PP-AL) e Fábio Ramalho (MDB-MG).

Já o deputado Áureo (RJ), líder do Solidariedade, avalia que as eleições na Câmara não guardam relação com apoio formal ao governo. “Não se trata de uma disputa de governo e oposição ou de direita contra esquerda. Maia é o nome de maior experiência”, diz Áureo, que será reconduzido à liderança.

Um dos exemplos da divisão entre os apoiadores do atual presidente, está no próprio DEM, com o novato Kim Kataguiri (SP) insistindo em manter candidatura avulsa. Embora não conte com a bênção do presidente do partido, ACM Neto, Kim poderá atrair votos tanto de seu partido quanto de integrantes do partido do presidente Jair Bolsonaro, afinados que são com o Movimento Brasil Livre (MBL), liderado por Kim.