Jair Bolsonaro pediu para correligionários não comentarem sobre "Caso Lula"

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, pediu para que integrantes do futuro governo e membros do seu partido, o PSL, não comentassem sobre a decisão de Marco Aurélio Mello e seus desdobramentos. No início da tarde desta quarta-feira (19), o ministro do Supremo Tribunal Federal determinou que os condenados em segunda instância fossem libertados. O presidente da Corte, Dias Toffoli, suspendeu a decisão.

Bolsonaro soube da decisão de Marco Aurélio Mello durante a primeira reunião com todos os 22 ministros do seu governo. No encontro, ficou acertado que ninguém da transição falaria sobre o caso. 

A reunião, na Granja do Torto, durou cerca de sete horas e os futuros ministros saíram aos poucos, sem falar. O ex-juiz federal Sérgio Moro, futuro ministro da Justiça e Segurança Pública, limitou-se a dizer que não faria comentários. Evitaram a imprensa também Onyx Lorenzoni (Casa Civil), Paulo Guedes (Economia), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Santos Cruz (Governo) e Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos).

O titular da Cidadania, Osmar Terra, chegou a fazer um comentário crítico no Twitter, mas logo depois apagou a postagem. "Respeito a decisão do Ministro Marco Aurélio. Mas as consequências dela serão trágicas para a credibilidade da Justiça brasileira e para a luta contra a corrupção!!", escreveu Terra. A publicação saiu das redes sociais em pouco tempo.

Integrantes do PSL, partido do presidente eleito, também foram orientados a não comentar sobre o caso. No entanto, muitos não seguiram o pedido. Boa parte dos aliados de Bolsonaro chegaram, inclusive, a pedir o impeachment do ministro Marco Aurélio. A deputada federal eleita Joice Hasselmann fez ameaças ao magistrado, dizendo no Twitter que ele teria cometido "crime de lesa-pátria".

Macaque in the trees
Jair Bolsonaro (Foto: Agência Brasil)

"Marco Aurélio aproveitou a véspera das 'férias de verão' do STF para dar a canetada que pode colocar Lula em liberdade. Foi caso pensado. Crime de lesa-pátria. O STF precisa enterrar esse golpe agora! Danem-se as férias! Marco Aurélio tem que ser arrancado do STF", disparou Joice.

Alguns integrantes do PSL não gostaram da postura da deputada e de outros correligionários. Para eles, Joice e os demais que se posicionaram sobre o caso "desrespeitaram ordens" do presidente eleito.

Jair Bolsonaro pediu também para que os filhos não comentassem sobre a decisão de Marco Aurélio. Carlos, que estava na reunião na Granja do Torto, apenas retuitou uma postagem crítica à decisão do magistrado. Eduardo, contudo, chegou a usar o Twitter para atacar a determinação do ministro.

"Lição de hoje: trabalhe, acorde cedo, se esforce para dar o melhor para a sua família, ensine seu filho que o estudo é o caminho certo para ter um vida digna e no final do dia veja uma autoridade da mais alta corte nacional ensinar-lhe tudo ao contrário...", escreveu.

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Eduardo Bolsonaro criticou decisão de Marco Aurélio (Foto: Reprodução/ Twitter)

O filho do presidente eleito também havia postado junto ao texto imagem de um jovem de 18 anos, que foi tatuado com a inscrição "eu sou ladrão e vacilão", em 2017, em São Bernardo do Campo. O tatuador e o cúmplice foram presos em flagrante por tortura. Os dois alegaram que o rapaz teria tentado furtar uma bicicleta e, por isso, ficaram revoltados e "resolveram tatuar o mesmo como forma de punição". Eduardo Bolsonaro apagou a postagem com a foto do jovem minutos depois e republicou apenas o texto.

Mais tarde, Eduardo fez outro comentário sobre o assunto. "Lembrando que quem entrou [com] a ação foi o PCdoB", escreveu, lembrando que Marco Aurélio Mello aceitou pedido da sigla. Todas as postagens foram apagadas.

Já Flávio Bolsonaro nada comentou. A presença do senador eleito nas redes sociais diminuiu consideravelmente após a divulgação das movimentações suspeitas, encontradas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), na conta do seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. 

 



Jair Bolsonaro
Eduardo Bolsonaro criticou decisão de Marco Aurélio