'Quem tem que dar explicação é o meu ex-assessor, não eu', diz Flávio Bolsonaro

O senador eleito pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro afirmou, nesta terça-feira (18), que quem deve explicar as movimentações suspeitas em contas identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) é seu ex-assessor, Fabrício Queiroz. A declaração foi dada quando chegava à cerimônia de diplomação para o cargo, no Centro. 

“Quem tem que dar explicação é o meu ex-assessor, não sou eu. A movimentação atípica é na conta dele. No meu gabinete todo mundo trabalha", disse Flávio Bolsonaro, prosseguindo: “Eu queria que ele já tivesse falado, mas o que eu posso fazer? Ele está se preservando. Ele não está se escondendo de ninguém. Ele tem que dar explicações é para o Ministério Público. Se errou, vai pagar. Não passo a mão na cabeça de ninguém. Deixa eu trabalhar. Não tem nada de errado com meu gabinete."

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Flávio Bolsonaro (Foto: Divulgação / Alerj)

O nome de Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor do filho do presidente eleito Jair Bolsonaro, aparece no relatório que integrou a investigação da Operação Furna da Onça, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro que prendeu dez deputados estaduais no início de dezembro. Ele deverá depor nesta quarta-feira, 19.

O Ministério Público do Rio abriu 22 procedimentos de investigação criminal com base no relatório do Coaf que apontou movimentações atípicas em contas de pelo menos 20 assessores de deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Entre os investigados está o policial militar Fabricio José Carlos de Queiroz.

O Coaf identificou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão em uma conta no nome de Queiroz, entre janeiro de 2016 e janeiro de 2017. O documento cita um repasse de R$ 24 mil para a futura primeira-dama Michelle Bolsonaro - o presidente eleito disse que se tratava do pagamento de uma dívida antiga do policial militar com ele.

Na segunda-feira, 17, no primeiro evento público em que apareceram juntos desde que o jornal O Estado de S. Paulo revelou o relatório do Coaf, Bolsonaro e Flávio evitaram a imprensa.

Em nota, o procurador-geral de Justiça, Eduardo Gussem, informou que as investigações derivadas do Relatório de Inteligência Financeira do Coaf têm por objetivo esclarecer se há participação de parlamentares "em diversas movimentações financeiras atípicas" da Assembleia do Rio.

O documento do Coaf mapeou contas de 75 servidores e ex-funcionários da Alerj. No total, foram contabilizados R$ 207 milhões em transações consideradas não usuais. O procurador-geral de Justiça do Rio destacou, porém, que as movimentações atípicas indicadas pelo Coaf não necessariamente podem indicar alguma ilicitude.

As apurações criminais serão conduzidas pelo Grupo de Atribuição Originária Criminal do Ministério Público, que atua com o procurador-geral de Justiça. Os procedimentos, no entanto, foram divididos conforme a prerrogativa de cada parlamentar.

Os casos ligados aos deputados estaduais reeleitos citados ficarão sob a responsabilidade de Gussem. Os procedimentos envolvendo deputados que não foram reeleitos e os parlamentares que conquistaram vaga no Congresso, como no caso de Flávio Bolsonaro, serão conduzidos por promotores de Justiça - isso porque o entendimento é que não há mais foro privilegiado para situações como esta.

Já a eventual prática de improbidade administrativa será analisada pela subprocuradoria-geral de Justiça de Assuntos Cíveis e Institucionais. Segundo o Ministério Público, o órgão já adotou as medidas "pertinentes" em relação ao documento, mas tudo está sob sigilo.