Cinco deputados contra Maia na presidência

Baixo clero tenta apoio do PSL para ter o poder da Câmara

Numa iniciativa inédita, cinco deputados federais de quatro partidos diferentes anunciaram esta semana que serão candidatos avulsos à presidência da Câmara. Eles fizeram um o acordo de que um apoiará o outro caso a disputa vá para o 2º turno. Os parlamentares, que irão concorrer com o atual presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) candidato à reeleição, divulgaram uma carta firmando o compromisso. A escolha do novo presidente é cercada de muitas articulações devido à grande importância do cargo, pois cabe ao presidente controlar a pauta do plenário da Casa, além dele ser também o terceiro na linha sucessória da Presidência da República.

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Fábio Ramalho, João Campos, Capitão Augusto, JHC e Alceu Moreira se apresentam como renovação à velha política (Foto: Reprodução do Facebook)

Os parlamentares são de siglas que deverão declarar independência em relação ao novo governo e pretendem formar um grande bloco para fazer frente as duas maiores legendas da Câmara, o PT, que elegeu 68 deputados, e o PSL, do presidente eleito Jair Bolsonaro, que contará com 52 vagas na Casa. Assinam o documento os deputados Fábio Ramalho (MDB-MG), vice-presidente da Câmara, João Campos (PRB-GO), Capitão Augusto (PR-SP), JHC (PSB-AL) e Alceu Moreira (MDB-RS).

Ramalho, apontado como um dos mais fortes nomes por ter o apoio de Bolsonaro, é empresário e defendeu o aumento do salário dos parlamentares; Campos é pastor e delegado aposentado e autor de uma das propostas da “cura gay”; JHC é o mais novo do grupo e foi presidente da comissão que analisou as 10 medidas de combate à corrupção; Policial, Augusto foi fundador do Partido Militar Brasileiro e atua na área da segurança pública; e Moreira integra a bancada ruralista e assumiu o comando da Frente Parlamentar da Agropecuária.

Segundo Ramalho, os cinco reúnem no mínimo 350 votos e as candidaturas têm como mote renovar a Câmara e torná-la uma instituição forte. “A nossa candidatura não é costurada nos partidos e com os líderes. A minha candidatura é conversada com todos os parlamentares que querem uma mudança. A gente não quer ter um presidente três vezes consecutiva. A Casa merece ser renovada”, disse.

O parlamentar disse ainda que o grupo não pretende integrar a base do governo Bolsonaro, mas trabalhar em harmonia com o Executivo. “A gente não vai negociar toma lá dá cá, eu, por exemplo, vou cuidar do Parlamento e dos parlamentares”, afirmou. “Fazer com que os 513 parlamentares possam ter uma proposição sua votada em plenário, ter uma Câmara onde todos possam participar. Acabar com essa questão de médio e alto clero, todos seremos um clero só”, completou. O líder do PSL, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), afirmou achar “muito difícil” o partido lançar candidato ao comando da Casa. Segundo ele, em encontro com a bancada, Jair Bolsonaro aconselhou aos correligionários ter “serenidade para não declarar votos”. Nos bastidores, o PSL trabalha para encontrar um nome alternativo ao de Maia.