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Hamburgueria de São Paulo é alvo de críticas após lançar lanche "Maria da Penha"

Direção enfatizou a expressão "olho roxo" na descrição do hambúrguer que leva bacon, alho-poró, muçarela e repolho roxo

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A Kau Hamburgueria, da cidade de Salto, interior do estado de São Paulo, foi alvo de inúmeras críticas nas redes sociais por causa de um lanche. O estabelecimento lançou um sanduíche novo e o batizou de "Maria da Penha". A direção decidiu enfatizar a expressão "olho roxo" na descrição do hambúrguer, que leva bacon, alho-poró, muçarela e repolho roxo.

Após a reação negativa na internet, o proprietário da loja, André Buzzo, tirou do ar as páginas da Kau Hamburgueria no Facebook e no Instagram. Em seu perfil pessoal, Buzzo publicou texto sobre o caso. Alegou que removeu as páginas por conta de "ataques virtuais". 

Macaque in the trees
Após polêmica nas redes sociais, hamburgueria paulista removeu suas páginas do Instagram e do Facebook (Foto: Reprodução/ Facebook)

"Para mim, é quase um vírus, onde o que importa é o engajamento e não a solução dada – que pensam que os meios justificam os fins. Me cobram respeito, e o que menos demonstram, é o requerido”, escreveu na sua conta do Facebook. O proprietário disse ainda que decidiu "repensar o nome do burger". Após a polêmica, a Kah Hamburgueria trocou o nome do lanche para "Censurado". Posteriormente, para "Um Lanche com Repolho".

Sobre as reações negativas nas redes sociais, Buzzo escreveu: "Declaro ainda para quem não me conhece - o homem, o marido, o empreendedor - que cada palavra de desrespeito publicada em qualquer rede social relativa à minha pessoa, minha mulher, e meu negócio, mostra apenas quem você é, e não o contrário".

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Após polêmica nas redes sociais, hamburgueria paulista removeu suas páginas do Instagram e do Facebook (Foto: Reprodução/ Facebook)

A Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha completou 12 anos em agosto deste ano em meio a várias notícias de crimes cometidos contra mulheres, principalmente homicídios. Sancionada em 7 de agosto de 2006, a Lei 11.340 representa um marco para a proteção dos direitos femininos ao endurecer a punição por qualquer tipo de agressão cometida contra a mulher no ambiente doméstico e familiar.

Em pouco mais de uma década de vigência, a Lei motivou o aumento das denúncias de casos de violação de direitos. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos (MDH), que administra a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, o Ligue 180, foram registradas no primeiro semestre deste ano quase 73 mil denúncias. O resultado é bem maior do que o registrado (12 mil) em 2006, primeiro ano de funcionamento da Central.

As principais agressões denunciadas são cárcere privado, violência física, psicológica, obstétrica, sexual, moral, patrimonial, tráfico de pessoas, homicídio e assédio no esporte. As denúncias também podem ser registradas pessoalmente nas delegacias especializadas em crime contra a mulher.

A partir da sanção da Lei Maria da Penha, o Código Penal passou a prever estes tipos de agressão como crimes, que geralmente antecedem agressões fatais. O código também estabelece que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham prisão preventiva decretada se ameaçarem a integridade física da mulher.

Pela primeira vez, a Lei também permitiu que a justiça adote medidas de proteção para mulheres que são ameaçadas e correm risco de morte. Entre as medidas protetivas está o afastamento do agressor da casa da vítima ou a proibição de se aproximar da mulher agredida e de seus filhos.

Além de crime, a Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda considera a violência contra a mulher um grave problema de saúde pública, que atinge mulheres de todas as classes sociais.

A lei leva o nome de Maria da Penha Maia, que ficou paraplégica depois de levar um tiro de seu marido. Até o atentado, Maria da Penha foi agredida pelo cônjuge por seis anos. Ela ainda sobreviveu a tentativas de homicídio pelo agressor por afogamento e eletrocussão. (Com Agência Brasil)