Votações só em 2019: Futuro governo não acredita mais em aprovação de projetos de seu interesse na atual legislatura

Se havia alguma esperança por parte do presidente eleito Jair Bolsonaro de ver aprovada qualquer pauta de seu interesse antes de tomar posse, ela caiu por terra. Foi o que deixou claro ontem o coordenador político da equipe de transição, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Após visitar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), o futuro ministro da Casa Civil afirmou que não será levada a nenhuma das casas a lista de prioridades que possam ser votadas ainda este ano.

“O nosso governo começa no dia primeiro de janeiro de 2019. Qualquer outra atitude poderia ser lida como prepotência do futuro governo e nós jamais queremos isso. O atual governo tem que cumprir essa missão até 31 de dezembro”, disse Lorenzoni, ao ser perguntado se teria apresentado a Maia as proposições de interesse de Bolsonaro.

Ele acrescentou que o objetivo da visita a Maia foi o de estreitar o diálogo e “assegurar que a relação do futuro governo com o Parlamento será de respeito e valorização”.

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O coordenador da equipe de transição, Onix Lorenzoni, deixa o CCBB em Brasília, ao lado de Gustavo Bebianno, a quem chamou de ministro (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O próprio Jair Bolsonaro afirmou, ontem, que não acredita mais na aprovação da reforma da Previdência. “Ele (Paulo Guedes) está achando que dificilmente aprova alguma coisa este ano”, afirmou. “Não é esta a reforma que eu quero”, acrescentou o presidente eleito, que desembarca hoje em Brasília. Ele confirmou que vai tomar café com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para conversar sobre o assunto, e disse que vai “apertar a mão” dos colegas do Congresso Nacional.

Lorenzoni atribuiu a dificuldade em conseguir aprovação à alta renovação do Congresso, que fez com que os parlamentares derrotados não se empenhem em votar este ano. “Existe uma realidade onde temos no Senado 44 senadores derrotados e na Câmara quase 250 deputados que não obtiveram a reeleição. Esse é um cenário complexo”.

A avaliação do deputado, que acumulará a partir de 2019 a função de articulador político com o Parlamento, se dá após uma semana de rusgas entre integrantes da equipe de transição e os presidentes das duas Casas.

No último dia 30, quando a equipe de Bolsonaro foi ao Congresso para celebrar os 30 anos da Constituição Federal, o futuro ministro da economia, Paulo Guedes, disse que daria “uma prensa” no Congresso para aprovar a Reforma da Previdência. A resposta foi a aprovação, no Senado, da elevação em 16% no salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Após o presidente do Senado Eunício Oliveira dizer que não estava “nem aí para Bolsonaro”, o presidente eleito cancelou as visitas que faria hoje aos presidentes das duas casas.

Ao conversar com jornalistas ontem, Onyx Lorenzoni ainda cometeu um ato falho e acabou antecipando o nome de Gustavo Bebianno como futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência. “Ainda hoje, com o futuro ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, fomos à casa do presidente da Câmara dos Deputados. Conversamos sobre o cenário atual e futuro”, deixou escapar, para depois corrigir: “Eu torço para que isso aconteça porque ele é um parceiro de todas as horas”, afirmou.