Mais um prêmio

O ex-governador Sérgio Cabral ganha um prêmio de 16 metros quadrados em presídio que ele construiu, como Ramsés construiu seu mausoléu.

Como disse o jornalista Elio Gaspari, não havia nenhum negro nem delatando, nem sendo delatado. O privilégio continua sendo para os ricos, ou quem sabe para os brancos.

O delator que desestabilizou definitivamente o governo, mesmo tendo protegido o ministro da Fazenda, ou tentado blindá-lo - como se um delinquente pudesse blindar alguém -, ganhou o seu presente. Imaginem: se ele estava sendo vigiado há mais de um ano, como o ministro da Fazenda, pelo Imposto de Renda ou por outros segmentos fazendários, poderia permitir que ele evadisse do país um iate de mais de US$ 10 milhões? O trâmite para embarcar um iate é muito maior do que o de qualquer mercadoria exportada. Se o vendeu, vendeu para quem? Tem que estar registrado no Banco Central. Se embarcou para ele mesmo, a licença é ainda mais especial para documentos neste caso.

Com tudo isso, ele ainda teve o privilégio de comprar dólares especulando contra a moeda brasileira. Se não bastasse, acintosamente reconheceu seu crime quando confessou ter especulado.

Com o maior respeito ao ministro Barroso, ninguém desacredita nas delações desses delinquentes com o Ministério Público, mas Vossa Excelência há de convir que nas delações não foi falado nem do iate nem das confissões de ter jogado contra o real.

Então ele cometeu dois crimes, mas induziu a Justiça ao erro. Por isso, sua delação tinha que ser cancelada, não pelos criminosos que delatou, mas pelo crime que cometeu omitindo ações criminosas no momento da delação.

Agora é Sérgio Cabral que recebe o prêmio do apartamento de 16 metros quadrados com cama, comida, banheiro e casa arrumada. Se corre risco de vida, o que acontece com outros delinquentes que também correm risco, ameaçados por adversários de facção criminosa? Merecem também esse privilégio?

Como se não bastasse, Justiça acaba de descobrir que Cabral não devolveu todas as joias "compradas". A Justiça diz que as notas fiscais  falam em mais de 6 milhões, e o que foi encontrado soma pouco mais de 4 milhões.

Como para esses criminosos milhões são troco, o que falta deve ser algum troco.