Insider é privilegiado até para ser preso

De que adianta decretar prisão de criminosos corruptos e corruptores e bloquear seus bens e patrimônios se eles ainda conseguem comprar passagens de avião em primeira classe para fugir do país? Se o bloqueio fosse efetivo, o criminoso sequer conseguiria pagar a gasolina do carro, pagar a mensalidade da escola dos filhos, ficar em dia com a conta de luz da casa e com o condomínio da luxuosa mansão.

A hipocrisia da prisão e desses supostos bloqueios de bens só atinge pobres e desgraçados. Aí, sim, vê-se a família, que depende de um pobre desgraçado, passar fome porque não tem de onde sacar dinheiro para comprar o pão do café da manhã.

No caso dos bandidos de colarinho branco que estamos vendo exaustivamente na mídia nesses últimos quatro anos, com notícias infindáveis sobre prisões, bloqueio de milhões e milhões de dólares e reais, a realidade está bem distante do ideal de justiça. A realidade é que esses presos devem estar com, no máximo, 15% de seus bens bloqueados ou não estariam mantendo vidas de luxo para si e para seus dependentes. Carros blindados, motoristas particulares, mansões no exterior, nada disso acabou para os ditos punidos pela lei.

Neste momento crítico para o país, a preocupação de quem pensa o Brasil é com os desfavorecidos da população constatando essa hipocrisia e a revolta quer pode daí surgir. Afinal, os privilegiados dessa classe de ladrões que esbanjam luxo, mesmo presos e com bens bloqueados, tem suas sortes atingidas por um tempo, mas não por todo tempo. Em compensação, aqueles que eles destruíram estão na rua da amargura, desempregados e com serviços públicos, como saúde, educação e segurança públicas, em situação crítica, como se vê com trabalhadores do Rio de Janeiro. E esse tempo da destruição para essa grande maioria não acaba.

Tanto mais a mídia - jornais, televisões, rádios e internet - repercute no noticiário 24 horas por dia as movimentações de criminosos e suas polpudas contas em paraísos fiscais, mais a população se dá conta do engodo e da hipocrisia que cerca o cerceamento a esses poderosos e mais a população se revolta. Uma rebelião em cárcere repercute menos que o sentimento de ódio de um povo sofrido ao assistir ao noticiário sobre o empresário que roubou R$ 200 milhões, deu R$ 100 milhões para o governador e fugiu.

Não passam horas entre a ordem de invasão e demolição de um barraco e o momento em que ele é colocado no chão. O que determina isso é a sorte dos desgraçados sofridos. Por outro lado, foram 13 dias entre a expedição do mandado de prisão do empresário e a efetiva operação para prendê-lo até sabermos que o criminoso de colarinho branco já estava bem longe do país.