Destruído pela corrupção, Brasil agora é devastado pelo mosquito

O Brasil da sétima economia do mundo se transforma num país de corrupção, quedas de governo, manchetes de ministros favorecendo as suas bases eleitorais, Olimpíada e Copa do Mundo onde os empreiteiros corruptos se delatam entre si, e agora um deles denuncia o Comitê Olímpico por danos ao Maracanã, um dos mais importantes cartões-postais do país.

Tudo isso poderia acontecer num país que vai a Davos, que faz parte do Brics, que se preocupa com a tecnologia do mundo, que tinha criado uma empresa para construir plataforma de petróleo com potencial para ser a maior do mundo... Tudo isso poderia acontecer. O inadmissível é que três mosquitos levem esse país a ser escancarado como tão frágil quanto qualquer país do quinto mundo, não mais do terceiro.

Pessoas morrem por falta de vacina para mosquito silvestre. Se este mosquito atravessar as barreiras e vir para a região urbana, não será mais uma epidemia, e sim uma pandemia. Não serão centenas de mortes, serão milhares.

O país se mobiliza para tomar decisões sobre corruptos, sobre chefes de quadrilha subornando governadores e políticos, sobre greve de funcionários de presídios e rebeliões que mostram a fragilidade da segurança no Brasil. Mas não se ouve falar de nenhuma reunião sobre esta brutalidade que é a febre amarela, que foi combatida pelo médico Oswaldo Cruz em 1904, há 113 anos. 

Hoje, a virulência da vacina é tão grande que suas reações em pessoas com mais de 60 anos podem ir do Guillain-Barré à morte.