Volume de votos brancos, nulos e abstenções expõe risco à democracia

Há mais eleitores que rejeitam todos os candidatos do que a soma de votos dos vencedores

Uma análise sobre os votos no Rio de Janeiro e em São Paulo, principais capitais do país, revela de forma contundente que a maior parte dos eleitores, na realidade, rejeita todas as opções de candidatura apresentadas. E é preocupante constatar que o eleitor não quer ninguém e não acredita em nenhuma das propostas. Este cenário de descrédito põe a democracia na berlinda, e deixa dúvidas sobre o futuro da política nacional.

Em São Paulo o tucano João Doria, vencedor no primeiro turno, somou 3.085.187 votos. Contudo, houve 1.940.454 abstenções, 367.471 votos brancos e 788.379 nulos. Somados, eles chegam a 3.096.304 - número maior do que os votos de Doria.

Se somarmos os votos claramente de esquerda, de Fernando Haddad (PT) - 967.190 - com os de Luiza Erundina (Psol) - 184 mil - chegamos a 1.151.190. Estes, somados aos 3.096.304 que não querem ninguém, chega-se a um volume expressivo de 4.247.494 eleitores.

Comparando este volume de eleitores com os de Marta Suplicy (PMDB) - 587.220 - Levy Fidelix (PRTB) - 21.705 - Ricardo Young (Rede) - 25.993 - e do próprio Doria, chega-se a 3.720.105, que seriam votos da direita e dos conservadores. Um número menor do que a soma dos de esquerda e dos que não se identificam com nenhum dos candidatos (4.247.494 eleitores).

Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, o cenário é semelhante. Houve 1.189.187 abstenções, 204.110 votos brancos e 473.324 nulos, o que representa 1.866.621 eleitores. Marcelo Crivella (PRB) e Marcelo Freixo (Psol), que vão para o segundo turno, somam 1.395.625 eleitores - menos do que a soma dos que não querem nenhum dos candidatos que participaram da eleição.

Vale observar que Marcelo Crivella não pode ser considerado um candidato conservador. Por outro lado, quem votou em Crivella certamente não está alinhado a uma tendência de esquerda. Os votos dos conservadores foram dirigidos a Pedro Paulo (PMDB), Flávio Bolsonaro (PSC), Índio da Costa ((PSD) e Carlos Osório (PSDB), que somaram 1.446.968 eleitores.

Já os votos abertamente para a esquerda - Freixo, Jandira Feghali (PCdoB), Alessandro Molon (Rede) e Cyro Garcia ((PSTU) - somam 703.742 eleitores.

Levando-se em consideração que aqueles que votaram em branco, nulo ou se ausentaram teriam uma tendência maior de optar pela esquerda do que pela direita no segundo turno - já que havia opções de candidatos da direita para todos os gostos no primeiro turno -, chega-se a um segundo turno que promete ter uma disputa acirrada e imprevisível.

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