Relação de crime com a política não é novidade

A publicidade da corrupção permite que num país de 200 milhões de habitantes - dos quais 180 milhões estão na linha da pobreza e enfrentam sérias dificuldades com a crise econômica - uma imensa massa de jovens que não tem acesso à educação e vive sem qualquer perspectiva acabe entrando no crime, num caminho sem volta.

O Jornal do Brasil tem abordado o tema, ouvindo especialistas. Aqueles que acreditam que o país caminha sobre a condução da normalidade política e institucional devem perceber que exatamente agora, nas eleições municipais - que são a base que alavanca o Congresso Nacional com seus representantes na Câmara e no Senado - a violência e as ações criminosas chegam a níveis assustadores.

Mas na própria Câmara de Deputados episódios envolvendo corrupção e corruptos também chocam. E lá, as apurações para punir culpados levam até um ano.

Em Goiás, onde o prefeito e candidato nessas eleições foi assassinado, a relação entre políticos e o crime já teve outros personagens: o empresário Carlinhos Cachoeira e o ex-deputado Demóstenes Torres estão envolvidos em escândalos. O próprio governador Marconi Perillo também se viu envolvido em acusações.

No Rio de Janeiro, o Estado vive uma crise sem precedentes graças a desmandos de administrações passadas, e que seguem sem qualquer punição.

Delações apontam ex-governadores com supostas ligações com corrupção, como José Roberto Arruda (DF), Agnelo Queiroz (DF), Sérgio Cabral (Rio), Eduardo Braga (Amazonas) e Omar Aziz (Amazonas).

Só na delação da cúpula da Odebrecht, há a expectativa de que pelo menos treze governadores e 36 senadores sejam citados como beneficiários de propinas nas campanhas eleitorais de 2010 e 2014. 

Em São Paulo, vemos o PCC - uma organização criminosa que comanda rebeliões, assaltos, sequestros, assassinatos e o narcotráfico - com cada vez mais poder.

Em São Luís, no Ceará e no Rio Grande do Norte, ações criminosas organizaram, muitas vezes de dentro da cadeia, ataques e incêndios a ônibus que aterrorizam a população por dias seguidos.

Paralelamente, esta mesma população vê o Congresso tentar uma manobra na calada da noite, para abafar o crime de caixa 2, e que só veio à tona após a providencial intervenção do deputado federal Miro Teixeira (Rede).

Lendo e vendo tudo isso, todos esses escândalos, o povo percebe que as ligações do crime com a política não são novidades. Com este triste exemplo que vem do poder, o que resta a quem está na miséria, desempregado por causa da crise que esses mesmos corruptos provocaram, e sem qualquer perspectiva pela frente?