Lava Jato, a corrupção e a possibilidade de uma convulsão social 

Chega a ser cínica a conclusão que alguns vislumbram por imaginarem que vão reprimir ou acabar com a corrupção, quando ladrões corruptos e corruptores levam um país do tamanho do nosso, e com um conceito que tinha em todo o mundo, à beira de uma convulsão social. Desempregados; pedintes; escolas sem poderem aumentar professores; hospitais sem remédios e sem poderem pagar médicos; caos na segurança, em que os mortos diariamente no Brasil são tantos ou mais do que nos conflitos no Oriente Médio. 

O que é isso? O povo não vai aceitar, nem pode aceitar, que o seu sofrimento seja embalado com essa destruição moral. Empresários roubam, funcionários corruptos roubam e se dizem arrependidos depois de delatarem, provavelmente com mentiras, para aumentarem a confusão judicial, talvez para dificultar mais o fim do processo. Os empresários de diversos setores, fundamentalmente do setor da construção, que são donos do Brasil, roubam, permitem que seus empregados superfaturem preços, como disse o dono da UTC, RIcardo Pessoa, e também querem delatar para ficar em casa com tornozeleira eletrônica, fumando charutos cubanos ou de outras procedências, cujo valor não fica por menos de R$ 100 cada um, bebendo vinhos que compraram com dinheiro roubado, ou presenteados por corruptores, e continuam pagando a conta de luz de suas casas de campo e talvez as do exterior, mesmo com o dólar 56% mais valorizado do que quando roubavam. 

Os corruptores biliardários, que tiveram suas fortunas claramente obtidas com o dinheiro que vem sendo roubado há muitos anos, não só da Petrobras mas de quase todas as empresas públicas (como por exemplo a concorrência fraudada da ferrovia Norte-Sul, orçada em 2,4 bilhões de dólares, e que percorreria 1.600 quilômetros de Goiás ao Maranhão; o caso mais recente da Eletronuclear, e tantos outros exemplos), querem também delatar e devolver, o que não significa nem um por cento do que ajudaram a roubar, mas muito longe, muito distante do verdadeiro valor que nosso Brasil perdeu. Não só com sua imagem moral perante o mundo, mas teve o seu investment grade rebaixado de forma vil, a fuga de capitais, mercado imobiliário parando e quebrando, mais de um milhão de desempregados, mais de 800 mil trabalhadores que ao serem demitidos perderam os planos de saúde, o que significa que voltaram para o SUS, que já se encontra em penúria absoluta, e a nossa moeda desvalorizada quase 60% neste últimos oito meses. 

Esses milhões de brasileiros desempregados levam com eles suas famílias à necessidade, a falta de comida, a falta de remédios. Essa população, em pouco tempo, terá dificuldades de saber o que é tudo isso, e o que lhe restar de propriedade terá necessidade de vender.

Esses marginais que provocaram a destruição de um país, de um povo, devem achar graça na gorjeta que corruptos e corruptores estão dando para resgatar suas liberdades. Estão com pressa para que, com o dinheiro que roubaram, gozarem suas vidas e de seus familiares em países da América do Norte e da Europa.  

Pobre Brasil, que mesmo tendo a pobreza que tem, não é humilhado vendo seus patriotas sendo devolvidos. Pobre por que é um povo pobre, mas rico em dignidade. Jamais receberia a nossa pátria para dar o título de cidadão brasileiro a ladrões que viessem como viessem. Nossa cidadania não tem preço, mas esses ladrões que estão indo para lá não podem levar com eles o produto do roubo que fizeram aqui do povo brasileiro. Sequestro é a palavra que deve ser usada para o patrimônio pessoal das empresas desses senhores.