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Democratas conquistam Congresso e impõem derrota histórica a Trump

Vitórias em estados republicanos redesenham o mapa político dos EUA e devem abrir uma fase de confronto entre Legislativo e Casa Branca

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 04/11/2026 às 08:08

Alterado em 04/11/2026 às 08:47

A 'onda azul' (democratas) só cresce nos Estados Unidos Imagem: Reuters

Os democratas assumiram o controle do Senado e da Câmara dos Representantes após uma série de vitórias expressivas em redutos republicanos. O resultado representa uma das maiores viradas eleitorais em décadas e deve alterar de forma significativa a dinâmica política nos Estados Unidos.

A mudança no Congresso ocorre após dois anos em que os republicanos mantiveram ampla vantagem institucional, com pouco esforço efetivo para conter a agenda de Donald Trump. Agora, com a posse da nova composição em janeiro, os democratas devem ganhar força para fiscalizar o governo e bloquear iniciativas importantes da Casa Branca.

Insatisfação com economia e guerra pesou no voto

As urnas mostraram um eleitorado irritado com o rumo do país. A campanha democrata apostou em temas como corrupção, custo de vida e os efeitos da guerra com o Irã sobre a economia, enquanto os republicanos tentaram mobilizar eleitores com pautas culturais, como direitos transgêneros.

Pesquisas de boca de urna indicaram que, para a maioria dos eleitores, as questões mais urgentes estavam ligadas ao bolso. Metade dos entrevistados disse encarar a eleição como uma chance de rejeitar Trump, e cerca de três quartos afirmaram estar irritados ou insatisfeitos com a situação nacional.

Avanço em estados conservadores e derrotas simbólicas

O desempenho democrata foi especialmente forte em estados tradicionalmente republicanos. No Texas, o partido encerrou décadas de derrotas com a conquista de uma vaga no Senado e a derrota do governador Greg Abbott. No Kansas, os democratas elegeram seu primeiro senador desde a Grande Depressão.

Houve ainda avanços em áreas com grande população latina, como a fronteira do Texas e cidades agrícolas do Kansas. Em Seward County, por exemplo, o democrata Adam Hamilton venceu o senador Roger Marshall por 13 pontos [cada ponto é um delegado do colégio eleitoral], contraste enorme com a vantagem de 39 pontos obtida por Trump ali em 2024.

Consequências para Trump e para o próximo ciclo político

Com o novo equilíbrio de forças, os democratas devem usar sua maioria para investigar o governo, a família e aliados de Trump, além de pressionar por concessões em temas legislativos. O Senado também poderá barrar indicações presidenciais, inclusive para o Supremo, caso surjam vagas.

Trump reconheceu que a guerra com o Irã contribuiu para a derrota republicana, mas manteve sua posição. Ao mesmo tempo, o resultado reforça a percepção de enfraquecimento político do presidente e acelera a disputa entre possíveis sucessores para 2028, em um cenário já moldado pelo pós-Trump.

Feitos inéditos marcam a eleição

A noite também produziu marcos históricos. Abdul El-Sayed se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Senado, enquanto outros nomes quebraram barreiras estaduais e raciais em disputas para governos locais. Na Geórgia, Keisha Lance Bottoms fez história ao se tornar a primeira mulher negra eleita governadora em um estado americano.

Ao fim da apuração, a mensagem política deixada pelo pleito foi clara: os eleitores quiseram mais controle sobre o presidente e sinalizaram uma nova fase de confronto entre Executivo e Legislativo em Washington.

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