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Quebrando a tradição: Trump pressiona Departamento de Justiça a agir em eleições de meio de mandato

A ofensiva rompe com décadas de cautela institucional e reacende o debate sobre o uso político do aparato federal

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 02/11/2026 às 07:09

Alterado em 02/11/2026 às 08:48

Donald TrumpDonald Trump: atirando pra todo lado Foto: Ansa/AFP

O Departamento de Justiça do governo Donald Trump passou a atuar de forma mais agressiva em disputas eleitorais nos Estados Unidos, rompendo com uma tradição de cautela que buscava evitar qualquer aparência de favorecimento político. As ações mais recentes ocorreram na Califórnia e no Alasca, em meio às eleições de meio de mandato, que acontecem nessa terça (3).

Ofensiva na Califórnia e no Alasca

Na Califórnia, o órgão tentou barrar cédulas por correspondência de cerca de 20 mil eleitores, sob a alegação de que eles provavelmente não seriam cidadãos norte-americanos elegíveis para votar. O Departamento também pediu registros ligados a uma investigação criminal, enquanto o estado afirmou já adotar mecanismos para impedir votos de não cidadãos e contestou a competência federal para bloquear o processo.

No Alasca, o Departamento intensificou uma apuração criminal envolvendo um candidato ao Senado com o mesmo nome do republicano Dan Sullivan, suspeitando que a candidatura pudesse confundir eleitores. A pasta ainda tentou impedir a certificação dos resultados caso Sullivan perdesse por margem apertada, mas a Justiça federal rejeitou o pedido no domingo.

Reação dos tribunais e críticas políticas

Embora os tribunais tenham barrado as ações nos dois estados, os casos reforçam a disposição do governo de intervir antes da contagem final e da certificação dos votos. O Departamento recorreu da decisão relacionada ao Alasca, mantendo a disputa aberta nos tribunais.

Críticos afirmam que a postura pode ser usada para alimentar desconfiança sobre as eleições e favorecer narrativas já defendidas por Trump, que insiste, sem provas, que houve fraude generalizada em 2020. Estudos independentes e auditorias estaduais apontam que casos de fraude eleitoral são raros.

Mudança no funcionamento interno do Departamento

Ex-integrantes do órgão afirmam que a tradição era aguardar a certificação dos resultados antes de qualquer intervenção, especialmente em temas sensíveis ligados à integridade do voto. Segundo eles, a administração Trump reduziu a influência da área técnica especializada em legislação eleitoral e transferiu mais poder para nomeados políticos.

O Departamento, por sua vez, diz que as ações seguem a lei e servem para proteger a integridade do processo eleitoral. Para aliados de Trump, a atuação busca apenas aplicar as regras; para críticos, no entanto, a nova postura representa uma mudança profunda na forma como a Justiça federal se envolve em disputas eleitorais nos Estados Unidos. (reportagem ampliada com informações da Reuters)

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