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Israel vota em meio à guerra e a pressão por mudanças no governo

Pleito pode alterar a correlação de forças no país, mas sem romper com a linha dura na segurança

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 27/10/2026 às 16:21

Alterado em 27/10/2026 às 16:25

Cerca de 7 milhões de israelenses foram às urnas nesta terça-feira (27) na primeira eleição desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A votação ocorre em meio à guerra em Gaza, à tensão na Cisjordânia e ao debate sobre o rumo político e militar do país.

Entre os favoritos ao governo estão o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e dois nomes da oposição com perfil linha-dura na área de segurança: o ex-general Gadi Eisenkot, do partido Yashar, e Naftali Bennett, líder da coalizão Juntos. Os três são de direita e compartilham posições duras em relação ao Hamas e à segurança nacional.

Estado palestino e assentamentos

Nenhum dos principais candidatos reconhece a possibilidade de criação de um Estado palestino, e todos defendem o desarmamento do Hamas. A principal divergência entre eles está na política de assentamentos na Cisjordânia, tema que ganhou força nos últimos anos com o apoio de setores da extrema-direita.

Especialistas ouvidos pela reportagem afirmam que a sociedade israelense passou a rejeitar ainda mais a bandeira do Estado palestino após o 7 de outubro. Ao mesmo tempo, há expectativa de que uma eventual mudança de governo reduza a tolerância à expansão de assentamentos em áreas ocupadas, o que poderia diminuir a violência na região.

Netanyahu sob pressão

Netanyahu soma 19 anos no poder à frente do Likud e enfrenta críticas pela condução da guerra e pela forma como lidou com o ataque do Hamas. Eisenkot o acusa de negligenciar o resgate dos reféns e de não ter evitado a ofensiva, apesar de alertas prévios. O premiê nega as acusações.

Michel Gherman, da UFRJ, avalia que Netanyahu se diferencia dos adversários por defender uma agenda de extrema-direita com traços autoritários, incluindo a tentativa de enfraquecer o Judiciário e concentrar mais poder no Executivo. Já Eisenkot seria visto como mais moderado e mais aberto a acordos com países árabes.

Formação de governo pode travar

Como Israel adota o parlamentarismo, o partido mais votado precisa negociar alianças para formar maioria no Knesset, que tem 120 cadeiras. Segundo analistas, tanto Eisenkot quanto Bennett podem depender do apoio de partidos árabes, embora todos os candidatos tenham sinalizado resistência a esse tipo de articulação.

A hipótese mais citada é a de um governo de coalizão difícil ou até de um impasse político. O resultado final deve sair apenas no fim desta quarta-feira (28), já que a votação é em cédula de papel.

Contexto regional

A eleição acontece após um período de escalada regional. Desde 7 de outubro, Israel intensificou a ofensiva em Gaza, ampliou ações na Cisjordânia e também se envolveu em confrontos com Líbano, Síria e Irã. A crise humanitária em Gaza e a política de colonização seguem no centro do debate internacional sobre o país. (com informações da Agência Brasil)