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Governo Trump destinou US$ 1 milhão para campanha contra o STF, diz o 'The Guardian'; leia editorial do jornal
Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 01/10/2026 às 11:06
Alterado em 01/10/2026 às 11:06
Logomarca do Guardian Foto: reprodução
O jornal britânico "The Guardian" revela, na edição desta quinta-feira (1º), que o governo de Donald Trump destinou US$ 1 milhão para financiar uma campanha contra o Supremo Tribunal Federal, no Brasil. O mesmo jornal publicou, na edição dessa quarta (30), um editorial sobre as eleições no Brasil (leia abaixo). De acordo com o texto dessa quinta, recursos originalmente voltados para a agenda de direitos humanos foram redirecionados para iniciativas alinhadas a interesses da extrema direita americana.
O subsídio, chamado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”, financia grupos da sociedade civil que criticam o que descrevem como excesso de atuação judicial e restrição à liberdade de expressão por parte da Suprema Corte brasileira, diz o jornal. A reportagem também lembra que o governo Trump aplicou sanções ao ministro Alexandre de Moraes no ano passado, após pressão de Eduardo Bolsonaro.
Denúncia de interferência política
Segundo o jornal, a senadora democrata Jeanne Shaheen enviou uma carta à Casa Branca acusando o governo de interferência na eleição brasileira e cobrando o reconhecimento do resultado das urnas. No documento, ela afirma que autoridades dos EUA atuaram para desestabilizar o país e tentar influenciar o desfecho político no Brasil.
Shaheen também diz que, durante o verão de 2025, o governo intensificou a pressão ao impor tarifas e sanções direcionadas com o objetivo de influenciar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo, acusado de tentar fomentar um golpe militar para permanecer no poder.
Recursos, bloqueios e bastidores em Washington
O "The Guardian" afirma ainda que um assessor parlamentar democrata relatou a existência de bloqueios a dez repasses, somando US$ 22 milhões, destinados a projetos no Brasil, na África do Sul e na Nigéria, além de ações de promoção de uma ideologia de direita no Reino Unido e na Europa. Apesar disso, o secretário de Estado Marco Rubio assinou pessoalmente um memorando para contornar os bloqueios e autorizar o uso dos recursos.
O maior repasse citado pela reportagem foi de US$ 40 milhões para um consórcio liderado pela Victims of Communism Memorial Foundation. O texto também informa que documentos internos do Departamento de Estado citam contratos anteriores menores com a fundação e identificam Andrew Bremberg, ex-assessor da Casa Branca no governo Trump, como liderança sênior da entidade. (reportagem ampliada com informações de Jamil Chade, do ICL Notícias)
LEIA O EDITORIAL DO GUARDIAN DESSA QUARTA-FEIRA
Lula v os Bolsonaros: a decisão dos eleitores brasileiros vai nos afetar a todos
"A eleição geral de domingo está muito acirrada para ser decidida, com o presidente em exercício enfrentando o filho do homem que tentou um golpe contra ele"
"A eleição de domingo no Brasil dificilmente poderia ser uma escolha mais clara – nem uma decisão mais apertada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conhecido como Lula, está empatado nas pesquisas com Flávio Bolsonaro, filho e defensor do ex-presidente de extrema-direita Jair, preso. O Sr. Bolsonaro sênior cumpre uma sentença de 27 anos por planejar um golpe para "aniquilar" a democracia após perder a última eleição.
O Brasil é a maior democracia da América Latina, mas a ditadura militar ainda faz parte do passado recente. O Sr. Bolsonaro quer libertar seu pai e aqueles que fizeram motins em seu apoio em 2023. O senador fez campanha como uma versão menos grosseira e temperamental do pai, mas não é menos extremo. Para muitos de ambos os lados, isso é um voto contra um homem que eles detestam mais do que um apoio ao próprio candidato. A maioria dos eleitores desaprova ambos os homens.
Inicialmente, analistas previam a vitória do atual mandatário de esquerda. Alguns consideram que, aos 80 anos, ele está velho demais para iniciar um quarto mandato, embora continue cheio de energia. Seus programas sociais são abrangentes, mas a frustração com a persistente incapacidade do Brasil de fazer seu desempenho econômico corresponder ao seu potencial pode prejudicá-lo, especialmente em um cenário de desaceleração do crescimento. A violência continua sendo uma das principais preocupações.
Depois veio o escândalo financeiro do Banco Master, que ganhou proporções enormes, transformando-se em um caso de corrupção que envolve a política e o Judiciário brasileiros. Primeiro, Flávio Bolsonaro foi flagrado em uma gravação pedindo a Daniel Vorcaro — o proprietário playboy do banco falido — quase 27 milhões de dólares para produzir um filme sobre seu pai. Ele nega qualquer irregularidade.
Em seguida, foram reveladas mensagens comprometedoras entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal que conduziu a acusação contra o ex-presidente. As alegações alimentaram a percepção de que todos os políticos são corruptos e reforçaram a tese infundada da extrema-direita de que Bolsonaro pai foi vítima de uma armação. O filho também tentou disfarçar um conflito público prejudicial com sua madrasta, Michelle — uma figura influente e peça-chave para o apoio evangélico de que ele necessita.
Bolsonaro filho afirmou que respeitará o resultado das eleições. No entanto, a família Bolsonaro passou anos tentando minar a confiança no sistema de votação eletrônica do Brasil, que é respeitado internacionalmente. Uma vitória apertada de Lula no primeiro turno provavelmente seria contestada. Com a presença de outros candidatos de direita, Bolsonaro filho também teria vantagem em um eventual segundo turno. Ele tem defendido a perspectiva de privatizações e cortes nos gastos públicos e impostos caso vença. Prometeu aparelhar o Supremo Tribunal Federal com juízes conservadores e antiaborto, que também seriam decisivos em futuras disputas eleitorais. Jurou implementar uma campanha agressiva de combate ao crime, do tipo que já atropelou direitos humanos em outros lugares.
O presidente Donald Trump e Marco Rubio, seu secretário de Estado, sentir-se-ão ainda mais encorajados em sua "Doutrina Donroe" — de intervenção agressiva no Hemisfério Ocidental — caso Bolsonaro filho saia vitorioso. A interferência dos EUA nesta eleição muitas vezes gerou o efeito contrário: tarifas elevadas impostas ao Brasil permitiram que Lula se apresentasse como o patriota que defende o país contra a interferência estrangeira. Ainda assim, a situação não deixa de ser preocupante.
Um segundo mandato de Trump, marcado por uma postura mais implacável e imprudente, também oferece uma visão alarmante de como seria uma nova presidência de Bolsonaro. O primeiro mandato registrou níveis históricos de desmatamento na Amazônia, além de um aumento na extração ilegal de recursos e na invasão de terras indígenas. Esses índices caíram drasticamente quando Lula retornou ao poder. Uma presidência de Bolsonaro seria prejudicial para as mulheres, os pobres e as minorias. A democracia seria, provavelmente, a sua primeira vítima local. Mas o clima certamente seria outro — com consequências para todos nós."