Merz admite derrota da CDU após vitória da AfD na Saxônia-Anhalt

Chanceler alemão reage ao avanço da extrema direita e promete reformas para tentar recuperar a confiança dos eleitores

Por JB INTERNACIONAL

Friedrich Merz

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, afirmou nesta segunda-feira (7) estar profundamente chocado com a vitória da extrema direita nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt. Ele classificou o resultado como uma derrota devastadora para a CDU e disse que o partido precisará responder com reformas para recuperar a confiança dos eleitores.

Segundo a apuração preliminar, a Alternativa para a Alemanha (AfD) obteve 43,8% dos votos, enquanto a CDU ficou com 17,2%. Historicamente forte no estado, a legenda de centro-direita sofreu uma queda acentuada em relação ao pleito anterior e passou a enfrentar pressão por causa do avanço da ultradireita sob o governo de Merz.

Merz fala em reformas e nega renúncia

Em discurso após reunião da cúpula da CDU em Berlim, o chanceler reconheceu que o partido falhou ao não estabelecer contato emocional com a população. Ele afirmou que o resultado da Saxônia-Anhalt tem impacto nacional e internacional e que a Alemanha precisa de mudanças fundamentais para garantir liberdade, paz e segurança nos próximos anos.

Apesar do desgaste político, Merz descartou deixar o cargo e disse que desistir não é uma opção. O líder alemão declarou ainda que o país manterá sua ordem política e a ancoragem na Europa, reforçando que pretende refletir sobre os erros da legenda e buscar um novo caminho de sucesso político compartilhado.

AfD ganha força, mas ainda precisa de alianças

No estado, o governador Sven Schulze admitiu que a CDU já não tem mandato para governar. A AfD deve conquistar 39 das 83 cadeiras no Parlamento estadual, número insuficiente para a maioria absoluta, o que a obriga a procurar apoios para formar governo.

Entre os possíveis aliados está a Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), que deve alcançar cinco assentos. Caso a articulação avance, a extrema direita poderá chegar ao poder em um estado alemão pela primeira vez desde a era nazista, um marco que amplia a tensão política no país.

Lideranças da AfD celebraram o resultado e atacaram Merz, ao mesmo tempo em que defenderam diálogo com outras siglas. Alice Weidel chamou o chanceler de o mais impopular da história e prometeu endurecimento nas fronteiras caso o partido assuma o governo. (com informações da Ansa)