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Especialista critica autorregulação da IA nos EUA

Sérgio Amadeu diz que o acordo com big techs entrega o controle do setor às próprias empresas

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 30/09/2026 às 13:23

. Foto: Pixabay

O anúncio de um compromisso voluntário entre o governo dos Estados Unidos e grandes empresas de inteligência artificial foi recebido com desconfiança por especialistas. Para o sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC, a iniciativa transfere para as próprias corporações o controle sobre o desenvolvimento da tecnologia, sem garantir uma supervisão realmente democrática.

Segundo ele, as medidas divulgadas, como controles internos e auditorias externas, já fazem parte do processo de treinamento de modelos de IA. Por isso, o pacto teria pouco efeito prático para enfrentar usos indevidos, ampliar a transparência ou impor limites mais rigorosos às empresas do setor.

Riscos para saúde pública, privacidade e meio ambiente

Amadeu afirma que a IA traz impactos que vão além da economia e envolvem áreas sensíveis da vida social. Entre os principais riscos, ele cita o alto consumo de energia e água, a possibilidade de vigilância em massa e a ameaça à privacidade de populações inteiras.

Na avaliação do especialista, o problema se agrava quando a tecnologia é usada em parceria com indústrias farmacêuticas e químicas. Ele alerta que pesquisas e aplicações sem regulação do Estado podem incentivar automedicação, diagnósticos feitos por sistemas automatizados e experimentos que coloquem a saúde pública em risco.

Democracia, segurança e manipulação da informação

Além dos impactos diretos na saúde, a inteligência artificial também é apontada como instrumento de interferência política e social. O texto menciona que sistemas baseados em IA podem ser usados para manipular informação nas redes sociais, influenciar opiniões e até mudar crenças de forma mensurável, segundo estudos laboratoriais.

Outro alerta está ligado à segurança digital e ao crime organizado. A tecnologia pode facilitar invasões a sistemas, ampliar golpes cibernéticos e banalizar ataques contra empresas e instituições. Há ainda preocupações com a capacidade de fornecer informações úteis para o desenvolvimento de armas químicas e biológicas.

Desconfiança crescente da população

O debate ocorre em um cenário de forte pressão social por regras mais duras. Pesquisa da Ipsos e da Reuters mostra que 73% dos americanos consideram insuficientes as medidas adotadas pelas empresas para evitar danos à sociedade, enquanto 39% acreditam que a IA já produz efeitos negativos.

O conjunto de alertas reforça a defesa de uma regulação estatal mais robusta, capaz de limitar abusos e estabelecer responsabilidades claras para empresas e governos. Sem isso, especialistas temem que a tecnologia avance sem os controles necessários para proteger a sociedade. (com informações de Lucas Pordeus León, da Agência Brasil)