Irã condena novas sanções dos EUA e teme instabilidade social

Teerã reagiu com dureza à ofensiva financeira de Washington, enquanto mediadores tentam destravar o impasse sobre o Estreito de Ormuz

Por JB INTERNACIONAL

Navios no Estreito de Ormuz, perto da praia de Bandar Abbas, no Irã

O Irã condenou as novas sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e classificou as medidas como “terrorismo de Estado”. O governo iraniano afirmou que as restrições colocam em risco a saúde e o sustento de milhões de civis, em meio a uma economia já fortemente abalada pela guerra e pela alta da inflação.

Com o conflito completando seis meses e as negociações travadas, Washington intensificou a campanha para isolar financeiramente Teerã. A ofensiva inclui ameaças de sanções secundárias contra países que mantenham relações comerciais com o Irã, ampliando a pressão sobre bancos, empresas e governos que ainda operam com o país.

Teerã teme impacto social da crise

Em paralelo à escalada externa, o líder supremo iraniano orientou autoridades a não adotarem ações ou declarações que enfraqueçam a coesão social. A preocupação do governo é que o agravamento das dificuldades econômicas, somado à inflação elevada, possa alimentar protestos e instabilidade interna.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã disse que outros países não devem aplicar as sanções americanas, alegando que isso violaria o direito internacional. Em nota, o ministério acusou os Estados Unidos de impor sua vontade de forma ilegal e pediu apoio de organismos internacionais para defender o Estado de Direito.

Novas sanções miram bancos e conexões comerciais

Mais tarde, uma autoridade norte-americana informou que o governo Trump planeja restringir filiais do Banque Misr, do Egito, nos Emirados Árabes Unidos, por manterem relações comerciais com Teerã. Segundo a fonte, a medida pode impedir essas unidades de processar transações por meio de instituições financeiras dos EUA.

O Departamento do Tesouro também anunciou sanções contra uma entidade sediada em Hong Kong e uma pessoa ligada ao Banco Melli, ampliando o alcance da campanha de pressão econômica. As novas medidas fazem parte da estratégia de sufocar canais financeiros usados pelo Irã para driblar as restrições já impostas.

Estreito de Ormuz segue como ponto mais sensível

Enquanto os EUA endurecem o cerco econômico, mediadores tentam reativar esforços diplomáticos para encerrar a guerra. O principal obstáculo continua sendo o Estreito de Ormuz, rota por onde passava cerca de 20% do abastecimento mundial de petróleo antes do conflito e cuja reabertura é vista como condição essencial para qualquer acordo mais amplo.

O primeiro-ministro do Catar disse ter defendido, em reuniões com líderes iranianos, o retorno à navegação livre na região. O chanceler do Irã respondeu que a diplomacia pode avançar, mas só se Washington abandonar a lógica da pressão militar e econômica. Mesmo com a tensão, os preços do petróleo caíram e dados preliminares mostraram queda no número de navios que cruzaram o estreito, sinal de que o mercado tenta se adaptar ao novo cenário regional. (com informações da Reuters)