Pesquisa na Argentina aponta vantagem numérica do voto anti-Milei

Levantamento da consultoria Projection mostra que a rejeição ao presidente é maior do que o temor de um retorno peronista

Por JB INTERNACIONAL

INFORME JB: Primeiro Trump, depois Michelle e agora Milei: 'Bolsonaro Jr' vai mal de cabo eleitoral

A mais recente pesquisa nacional da consultoria Projection, realizada na Argentina, indica que a rejeição à continuidade de Javier Milei no poder supera a resistência a um eventual retorno do peronismo. O levantamento foi divulgado em meio ao ambiente de forte polarização que marca a corrida presidencial de 2027 e reforça o peso do chamado anti-voto no comportamento do eleitorado argentino.

Segundo os dados, 40,1% dos entrevistados afirmaram que votariam em um candidato que não fosse sua primeira preferência apenas para impedir a permanência de Milei. Desse total, 24% disseram concordar fortemente com essa estratégia e 16,1% disseram concordar. Já 37,5% declararam que poderiam apoiar um nome de que não gostam para evitar o retorno do peronismo, com 20,8% de concordância forte e 16,7% de concordância simples.

Polarização segue dividindo o eleitorado

A diferença entre as duas posições é de 2,6 pontos percentuais, o que aponta uma vantagem do voto de oposição ao atual governo em relação ao voto contra o peronismo. A pesquisa ouviu 1.817 pessoas entre os dias 1º e 10 de julho, em todo o território nacional, e mostra um cenário no qual a disputa não se resume à preferência por projetos, mas também à rejeição aos principais polos políticos do país.

Essa dinâmica já apareceu em eleições anteriores e teve impacto em momentos decisivos da política argentina. Em 2015, o voto contra o kirchnerismo contribuiu para a eleição de Mauricio Macri. Em 2023, a lógica do antivoto também favoreceu a ascensão de Milei ao poder, mostrando que a rejeição pode ser determinante na definição do vencedor.

Como o país enxerga continuidade e mudança

O estudo também mediu a percepção sobre a permanência da atual administração. Entre os entrevistados, 20,3% disseram querer que o governo ultradireitista de Milei continue como está, enquanto 19,1% defendem a continuidade, mas com mudanças na equipe e nas políticas adotadas. Na outra ponta, 37,8% preferem uma mudança de governo associada ao peronismo, e 13,7% escolhem uma alternativa fora desse campo político.

Os 9,1% restantes afirmaram não saber qual opção escolher. A fotografia geral do levantamento confirma um eleitorado dividido, com espaço para disputas apertadas e para a influência do voto útil, especialmente em um contexto no qual a rejeição ao adversário pode valer tanto quanto a adesão a um projeto político.

Cenário eleitoral de 2027 ainda está em aberto

Os resultados foram divulgados poucos dias depois de outra etapa da mesma pesquisa apontar empate técnico em um eventual segundo turno entre Milei e o governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof. O levantamento também indicou um quadro competitivo já no primeiro turno, o que sugere que a disputa presidencial argentina deve seguir marcada por polarização, cálculo estratégico do eleitor e forte disputa pela transferência de votos.

Com a vantagem numérica do anti-Milei sobre a rejeição ao peronismo, a pesquisa reforça que a eleição de 2027 pode ser definida tanto pela capacidade de mobilização dos apoiadores quanto pela força do voto de negação. Em um país historicamente marcado por alternância intensa e forte clivagem ideológica, a rejeição continua sendo uma variável central para entender o rumo do pleito.