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Após milhares de migrantes 'invadirem' Ceuta a nado, Itália suspende acordo com Espanha e fecha fronteiras

Medida foi justificada pelo governo como preventiva e provocou reação imediata de Madri

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 31/07/2026 às 14:55

Alterado em 31/07/2026 às 16:00

Milhares de marroquinos cruzaram a fronteira a nado Foto: Ansa

O governo italiano determinou o fechamento das fronteiras aéreas e marítimas com a Espanha e suspendeu temporariamente a aplicação do acordo de Schengen entre os dois países. A decisão foi anunciada pelo Ministério do Interior após reunião sobre imigração e segurança de fronteiras, com base em informações de inteligência consideradas preocupantes pelas autoridades.

Além da medida contra a Espanha, Roma também reforçou a fiscalização na fronteira terrestre com a França. Segundo o governo, a ação tem caráter preventivo e busca aumentar a segurança nacional, embora os detalhes da inteligência usada para embasar a decisão não tenham sido divulgados.

Crise migratória amplia tensão política

A decisão veio logo depois de Giorgia Meloni afirmar que poderia adotar medidas extraordinárias em resposta à entrada de milhares de migrantes em Ceuta, no território espanhol. A premiê italiana classificou a imigração irregular como uma ameaça real à segurança europeia e disse que a suspensão permanecerá em vigor apenas pelo tempo necessário.

O vice-premiê e chanceler Antonio Tajani também defendeu a iniciativa e criticou a política migratória espanhola. As declarações aumentaram o atrito entre Roma e Madri, levando o governo espanhol a convocar o embaixador italiano para um protesto formal.

O que diz o acordo de Schengen

Em vigor há mais de quatro décadas, Schengen garante a livre circulação de pessoas entre os países participantes, mas permite suspensão temporária em situações de ameaça grave à segurança interna ou à ordem pública. O Código de Fronteiras da União Europeia prevê comunicação prévia à Comissão Europeia e estabelece prazos específicos para a reintrodução dos controles.

Pelas regras atuais, a medida pode durar até 30 dias, ou enquanto a ameaça persistir, com possibilidade de prorrogação. Em casos urgentes, o restabelecimento dos controles pode ocorrer de imediato, por um período inicial de dez dias, renovável posteriormente.

Reação da Espanha e impacto na União Europeia

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, respondeu à decisão italiana afirmando que solidariedade e empatia podem ser opcionais, mas o respeito aos tratados europeus e aos dados não. Em publicação nas redes sociais, ele citou números da Frontex sobre entradas irregulares na União Europeia para defender que o debate deve ser conduzido sem divisões.

Sánchez concluiu pedindo unidade entre os países do bloco e reforçando a necessidade de uma União Europeia forte. A disputa evidencia como a crise migratória continua pressionando governos europeus e testando os limites da cooperação entre os Estados-membros. (com informações da Agência Ansa)

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