Terremotos em sequência na Venezuela assustam cientistas

Dois fortes sismos atingiram a região de Caracas em menos de um minuto e podem ter sido provocados pela mesma falha geológica

Por JB INTERNACIONAL

Prédios desabaram no terremoto na Venezuela

Dois fortes terremotos atingiram o norte da Venezuela na quarta-feira, 24, em um intervalo de apenas 39 segundos. Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, foram sentidos na região oeste da capital Caracas e provocaram um dos eventos tectônicos mais intensos da área no último século.

Embora sismos fortes não sejam incomuns no país, a proximidade entre os dois abalos chamou a atenção de especialistas. A sequência pode ter sido provocada pelo primeiro terremoto, que teria desencadeado o segundo em uma falha vizinha ou em um conjunto de falhas geologicamente conectadas.

O que explica o dupleto sísmico

Geólogos chamam esse tipo de ocorrência de dupleto sísmico quando dois tremores acontecem em sequência, em locais quase idênticos e, muitas vezes, na mesma estrutura geológica. Segundo especialistas, o evento mais forte costuma ser classificado como o choque principal, enquanto o anterior pode funcionar como precursor.

Para pesquisadores, a coincidência temporal entre os dois terremotos indica que o primeiro abalo provavelmente contribuiu para romper outra parte bloqueada da falha. Em vez de dois eventos totalmente separados, o caso pode ser entendido como uma única ruptura mais longa e complexa.

Por que os danos foram tão graves

Apesar de parecerem próximos em intensidade, terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 não têm o mesmo poder. O segundo liberou quase três vezes mais energia do que o primeiro. Além disso, ambos foram rasos, o que aumenta o impacto das ondas sísmicas na superfície.

A região atingida também é formada por sedimentos soltos, que tendem a amplificar os tremores e favorecer deslizamentos e liquefação do solo. A capital Caracas ficou especialmente vulnerável por estar na direção da propagação da ruptura, o que ampliou a destruição.

Risco de novos tremores e cenário geológico complexo

O norte da Venezuela está em uma zona tectônica complexa, marcada pelo movimento da placa do Caribe em relação à placa sul-americana. Na área dos terremotos, existem falhas importantes mapeadas, como Boconó, El Guayabo e Morón, o que dificulta identificar com precisão a origem exata dos abalos.

De acordo com o USGS, a região deve continuar registrando tremores secundários nos próximos dias, com chance de eventos moderados e possibilidade menor de outro tremor forte. Para os moradores, isso significa que o cenário de medo e instabilidade ainda pode durar por algum tempo. (com informações do New York Times)