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Putin diz que acha que a guerra Rússia-Ucrânia está 'chegando ao fim'

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Por JB INTERNACIONAL com Reuters
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Publicado em 11/05/2026 às 07:16

Alterado em 11/05/2026 às 07:53

O presidente russo Vladimir Putin participa de um desfile militar no Dia da Vitória, marcando o 81º aniversário da vitória sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial, na Praça Vermelha, no centro de Moscou Foto: Sputnik/Vyacheslav Prokofyev/Pool via Reuters

O presidente russo Vladimir Putin disse no sábado (9) que acredita que a guerra na Ucrânia está chegando ao fim, declarações que vieram poucas horas depois de ele ter prometido vencer a Ucrânia, no desfile do Dia da Vitória mais contido de Moscou em anos.

"Acho que o assunto está chegando ao fim", disse Putin aos repórteres sobre a guerra Rússia-Ucrânia, o conflito mais mortal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Ele também afirmou que estaria disposto a negociar novos acordos de segurança para a Europa, e que seu parceiro de negociação preferido seria o ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder.

A invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022 desencadeou a crise mais grave nas relações entre Rússia e Ocidente desde a Crise dos Mísseis de Cuba, em 1962, quando muitas pessoas temiam que o mundo estivesse à beira de uma guerra nuclear.

O Kremlin afirmou que as negociações de paz são intermediadas pelos EUA. Ele prometeu repetidamente continuar lutando até que todos os diversos objetivos de guerra da Rússia sejam alcançados, no que Moscou chama de "operação militar especial".

Putin falou no Kremlin após expor sua visão sobre as causas da guerra. Ele culpou os líderes ocidentais "globalistas", dizendo que prometeram que a OTAN não se expandiria para o leste após a queda do Muro de Berlim em 1989, mas depois tentaram atrair a Ucrânia para a órbita da União Europeia.

Sua declaração veio poucas horas após o desfile do feriado nacional de 9 de maio que celebra anualmente a vitória da União Soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. O evento presta homenagem aos 27 milhões de cidadãos soviéticos que pereceram naquela guerra.

Em vez dos habituais mísseis balísticos intercontinentais, tanques e sistemas de mísseis rolando pelos paralelepípedos da Praça Vermelha, a Rússia exibiu um vídeo de seu equipamento militar em ação em telas gigantes em frente às muralhas do Kremlin.

Tropas russas estão lutando na Ucrânia há mais de quatro anos. Isso é mais tempo do que as forças soviéticas lutaram na Segunda Guerra Mundial, conhecida na Rússia como a Grande Guerra Patriótica de 1941-45.

GUERRA NA EUROPA
Putin, que governa a Rússia como presidente ou primeiro-ministro desde o último dia de 1999, enfrenta uma onda de ansiedade em Moscou sobre a guerra na Ucrânia, que matou centenas de milhares de pessoas, deixou grandes partes da Ucrânia em ruínas e drenou a economia russa de 3 trilhões de dólares.

As relações da Rússia com a Europa são piores do que em qualquer outro momento desde o auge da Guerra Fria.

As forças russas até agora não conseguiram tomar toda a região do Donbas, no leste da Ucrânia, onde as forças de Kiev foram empurradas para uma linha de cidades-fortaleza. Os avanços russos desaceleraram este ano, embora Moscou controle pouco menos de um quinto do território ucraniano.

Após Rússia e Ucrânia se acusarem mutuamente de violar cessar-fogos unilaterais que ambos haviam declarado nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um período de sábado a esta segunda-feira (11) apoiado pelo Kremlin e por Kiev. Os dois lados também concordaram em trocar 1.000 prisioneiros.

"Gostaria de ver isso parar. Rússia-Ucrânia - é a pior coisa desde a Segunda Guerra Mundial em termos de vida. Vinte e cinco mil jovens soldados todo mês. É loucura", disse Trump a repórteres em Washington.
Ele acrescentou que "gostaria de ver uma grande extensão" do cessar-fogo. Não houve relatos de violações do cessar-fogo nem de Moscou nem de Kiev.

CONVERSA COM O SCHROEDER?
O presidente do Conselho Europeu, Antonio Costa, disse na semana passada acreditar que havia "potencial" para a UE negociar com a Rússia e discutir o futuro da arquitetura de segurança da Europa.
Questionado se estaria disposto a dialogar com os europeus, Putin disse que a figura preferida para ele é Schroeder.

"Para mim pessoalmente, o ex-chanceler da República Federal da Alemanha, Sr. Schroeder, é preferível", disse Putin.

Líderes europeus disseram que a Rússia deve ser derrotada na Ucrânia e retratam Putin como um criminoso de guerra e autocrata, que, segundo eles, poderia um dia atacar um membro da OTAN se ele for autorizado a vencer a guerra. A Rússia descarta tais alegações como "bobagem".

Putin, que ordenou a entrada de tropas na Ucrânia em fevereiro de 2022, apresenta as potências europeias como belicistas por apoiarem a Ucrânia com dezenas de bilhões de dólares em apoio, armas e inteligência.

Questionado sobre o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskiy, Putin disse que uma reunião só seria possível após um acordo de paz duradouro ser acordado.

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