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Relatório de inteligência alertou sobre a 'ameaça persistente' do Irã aos EUA, enquanto a Casa Branca minimizava o risco
Por JB INTERNACIONAL com Reuters
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Publicado em 08/04/2026 às 06:51
Alterado em 08/04/2026 às 08:16
Casa Branca Foto: Agência Brasil
O FBI alertou as autoridades estaduais e locais dos EUA sobre uma ameaça elevada representada pelo governo iraniano contra alvos nos Estados Unidos no mês passado, mesmo enquanto a Casa Branca tentava minimizar a probabilidade de um ataque, mostra um relatório de inteligência policial divulgado pela agência de Reuters.
No documento de 20 de março, o FBI e outras agências federais de inteligência alertaram que o governo iraniano "representa uma ameaça persistente" para militares e funcionários e prédios do governo dos EUA, instituições judaicas e israelenses, e dissidentes iranianos nos EUA. Apesar desses avisos, o FBI e o Centro Nacional de Contraterrorismo não identificaram ameaças amplas ao público americano, segundo o relatório.
O presidente Donald Trump minimizou publicamente a possibilidade de ataques iranianos em solo americano, em resposta a outras avaliações de inteligência nos últimos meses. Quando questionado do lado de fora da Casa Branca, em 11 de março, se ele estava preocupado com o Irã perpetrando um ataque nos EUA, Trump respondeu: "Não, não estou."
O presidente republicano intensificou sua retórica em torno do conflito esta semana, dizendo nessa terça-feira que "uma civilização inteira morrerá esta noite", se o Irã não atendesse às suas exigências, mas depois adiou a ameaça em duas semanas.
O apanhado de 20 de março – intitulado "Relatório de Conscientização sobre a Segurança Pública" – foi divulgado semanas depois que a Reuters e outros veículos de notícias noticiaram que a Casa Branca bloqueou a divulgação de um produto de inteligência descrito de forma semelhante. Na época, a Casa Branca afirmou que estava garantindo que qualquer informação fosse devidamente avaliada antes da divulgação.
"Todo o governo Trump está trabalhando junto para proteger a pátria e o povo americano – como sempre faz", disse a porta-voz da Casa Branca, Abigail Jackson, em um comunicado. "Veículos de mídia não devem tentar semear medo de forma irresponsável, reportando memorandos individuais de aplicação da lei que possam carecer de contexto mais amplo."
O FBI e o NCTC não falaram imediatamente aos pedidos de resposta à reportagem.
Ali Karimi Magham, porta-voz da missão iraniana nas Nações Unidas, recusou-se a comentar.
MAIORIA DOS AMERICANOS SE OPÕE À GUERRA, E QUER UM FIM RÁPIDO
Os americanos têm tido opiniões negativas sobre a guerra, com dois terços dizendo que os EUA deveriam encerrar seu envolvimento rapidamente, revelou uma pesquisa da Reuters/Ipsos no mês passado, tornando a percepção pública de qualquer ameaça especialmente relevante.
O relatório do FBI de 20 de março foi obtido por meio de solicitações de acesso a registros pela organização sem fins lucrativos Property of the People, para transparência em segurança nacional, e compartilhado com a Reuters.
O documento destacou "o potencial de ameaças físicas elevadas" a alvos nos EUA pelo governo iraniano após o início do conflito.
"Extremistas violentos com uma variedade de origens ideológicas, incluindo aqueles que se opõem aos EUA ou a Israel, também podem ver esse conflito como uma justificativa para a violência", afirmou o relatório.
O estudo afirmou que os serviços de segurança iranianos tentaram sequestrar e matar americanos nos últimos anos. Embora diga que a maioria dos planos nos EUA envolveu armas de fogo, outros métodos incluíam "esfaqueamentos, atropelamentos de veículos, atentados a bombas, envenenamento, estrangulamento, sufocamento e incêndio criminoso".
Teerã prefere usar agentes com status legal ou acesso prévio dos EUA, segundo o relatório. O governo iraniano, no passado, monitorou redes sociais, transmissões ao vivo e aplicativos de mapas para escolher alvos e avaliar medidas de segurança, informou o documento, acrescentando que o governo também utilizou táticas de hacking, como e-mails de phishing.
O governo iraniano "também tentou atrair vítimas para outros países geograficamente mais próximos do Irã, quase certamente para sequestros e execuções eventuais", afirmou.
O relatório alertou que as autoridades devem permanecer vigilantes diante de possíveis ameaças e compartilhar informações preocupantes com as autoridades federais.