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Trump anuncia ganhos contra o Irã, mas não dá um cronograma para acabar com a guerra

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Por JB INTERNACIONAL com Reuters
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Publicado em 02/04/2026 às 08:24

Alterado em 02/04/2026 às 08:24

O presidente dos EUA, Donald Trump, faz um discurso à nação sobre a guerra do Irã na Casa Branca, em Washington Foto: Alex Brandon/Pool via Reuters

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse em um discurso televisionado na noite dessa quarta-feira (1º) que as Forças Armadas dos EUA quase haviam alcançado seus objetivos no Irã. Mas ele não ofereceu um cronograma claro para encerrar a guerra de um mês, e prometeu bombardear o país de volta à "Idade da Pedra".

Diante de um público americano cauteloso em relação à guerra, com taxas de aprovação em queda e pressão de alguns aliados para expor seus objetivos de guerra de forma mais precisa e consistente, Trump afirmou que os EUA destruíram a marinha e a força aérea do Irã, além de paralisar seus programas de mísseis balísticos e nucleares.

Mas ele se recusou a apresentar um plano concreto para encerrar a guerra, agora em sua quinta semana, além de dizer que os EUA terminariam o trabalho "muito rápido".

"Temos todas as cartas", disse no primeiro discurso em horário nobre desde que os EUA e Israel iniciaram a guerra em 28 de fevereiro. "Eles não têm nenhuma".

Ele deixou de lado algumas questões importantes não resolvidas, como o status do urânio enriquecido do Irã e o acesso pelo Estreito de Ormuz, um canal para o fornecimento global de petróleo que o Irã efetivamente fechou.

O estreito, disse ele, se abrirá "naturalmente" assim que a guerra terminasse.

O discurso de 19 minutos não trouxe grandes novidades, e ofereceu pouca tranquilidade aos americanos e aliados dos EUA que estão sentindo uma dor crescente no posto de gasolina, e uma impaciência crescente com a guerra.

As ações caíram, o dólar se firmou e o petróleo subiu logo após os comentários de Trump, refletindo o sentimento generalizado de que o conflito provavelmente se arrastará por algum tempo.

'DE VOLTA À IDADE DA PEDRA'
O presidente e seus conselheiros ofereceram explicações e cronogramas variados para o conflito, bem como o que exigirão do Irã para que ele termine. Enquanto retrata o Irã como militarmente enfraquecido, Trump também disse na noite dessa quarta-feira que os EUA atacariam duramente o país por mais duas ou três semanas.

Se os novos líderes do país não negociarem satisfatoriamente, disse ele, os EUA começarão a atacar a geração de eletricidade e a infraestrutura de petróleo do país.

Enquanto Trump falava, sirenes aéreas soavam tanto por Doha quanto por Tel Aviv, ilustrando como a República Islâmica ainda consegue causar estragos no Oriente Médio, apesar de ter sofrido pesadas perdas.

"Vamos atacá-los com muita força nas próximas duas a três semanas", disse Trump. "Vamos trazê-los de volta para a Idade da Pedra, à qual pertencem."

"Enquanto isso, as discussões continuam", acrescentou. "Ainda assim, se durante esse período nenhum acordo for feito, teremos os olhos em alvos-chave."

Um dia antes, Trump disse a repórteres que Teerã não precisava fazer um acordo como pré-requisito para o fim do conflito.

Embora o presidente tenha reconhecido brevemente nessa quarta-feira as crescentes preocupações entre os americanos de que a guerra está tornando a gasolina inacessível, ele insistiu que os preços logo cairão e que os aumentos foram principalmente culpa do Irã.

Ele acrescentou que países que obtêm a maior parte de seu fornecimento de petróleo da região do Golfo devem liderar a abertura do estreito. Reino Unido, França e outros aliados dos EUA disseram estar dispostos a ajudar a manter o estreito aberto, mas somente após o fim das hostilidades.

"Eles conseguem fazer isso facilmente", disse Trump. "Seremos úteis, mas eles devem assumir a liderança na proteção do petróleo do qual dependem desesperadamente", disse.

Trump expressou indignação pelo fato de os aliados da OTAN não terem oferecido ajudar para abrir o estreito, chegando a ameaçar se retirar da aliança de 76 anos.

Embora tenha dito à Reuters mais cedo naquele dia que discutiria a relação dos EUA com a OTAN em seu discurso, ele não mencionou o bloco.

O PÚBLICO QUER QUE A GUERRA ACABE
Em uma pesquisa da Reuters/Ipsos realizada de sexta a domingo, 60% dos eleitores disseram desaprovar a guerra, enquanto 35% aprovam. Cerca de 66% dos entrevistados disseram que os EUA deveriam trabalhar para encerrar rapidamente seu envolvimento na guerra, mesmo que isso signifique não alcançar as metas estabelecidas pela administração.

Trump, por sua vez, flertou com opções tanto para escalar quanto para desescalar o conflito, e seus próximos passos são incertos, mesmo para alguns conselheiros próximos. Seu discurso trouxe pouca clareza adicional.

Autoridades do governo lançaram uma operação ousada para apreender fisicamente os estoques restantes de urânio altamente enriquecido do Irã, além de operações terrestres para tomar terrenos estratégicos – incluindo partes da costa iraniana e da Ilha Kharg, por onde o Irã exporta a grande maioria de seu petróleo.

Milhares de tropas adicionais continuam navegando em direção à região do Golfo, indicando que o presidente quer manter suas opções militares abertas.

Trump pediu aos americanos que "mantenham esse conflito em perspectiva", observando que guerras anteriores no Iraque, Vietnã e Coreia exigiram um envolvimento americano muito mais longo.

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