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Guerra no Irã completa 1 mês e segue sem trégua no horizonte

Ofensiva lançada por EUA e Israel teve início em 28 de fevereiro

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 28/03/2026 às 16:33

Alterado em 28/03/2026 às 16:33

Protesto em Roma contra guerra no Oriente Médio Foto: Ansa/AFP

A guerra no Irã completa um mês neste sábado (28), ainda sem perspectiva concreta de cessar-fogo em um conflito que provocou repercussões em toda a região e nos mercados globais de petróleo e gás.

Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram uma ampla ofensiva aérea contra alvos da República Islâmica, que reagiu bombardeando o país judeu e nações do Oriente Médio que abrigam bases militares americanas, como Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque e Kuwait.

Desde então, boa parte da liderança do regime iraniano foi eliminada, incluindo o guia supremo Ali Khamenei, substituído por seu filho, Mojtaba Khamenei, que segue sem aparecer em público, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani, além de comandantes militares.

O balanço da guerra ainda é incerto, mas o número de mortos no Irã é de cerca de 2 mil, incluindo cerca de 160 crianças assassinadas em um ataque atribuído aos EUA contra uma escola feminina na cidade de Minab, perto da costa do Estreito de Ormuz.

O Pentágono informou há algumas semanas que o caso estava sendo investigado, porém imagens do bombardeio mostram que o colégio, situado ao lado de instalações da Guarda Revolucionária, foi atingido por um projétil semelhante a um míssil Tomahawk, armamento que integra o arsenal americano.

Segundo a agência de notícias oficial iraniana Irna, pelo menos 252 estudantes e professores morreram no conflito.

Em Israel, o balanço é de aproximadamente 20 mortos, enquanto outros 25 óbitos foram registrados em países do Golfo.

Nos últimos dias, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou a relatar "conversas muito positivas" com o Irã para encerrar a guerra, informação não confirmada pela República Islâmica, que ironizou o magnata, afirmando que ele estava negociando "consigo mesmo".

Paralelamente, o Paquistão disse que está mediando tratativas indiretas entre Washington e Teerã, enquanto Trump prorrogou pela segunda vez, agora até 6 de abril, o ultimato de 48 horas que havia dado para o Irã liberar totalmente a passagem de navios no Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento da produção de petróleo e gás do Golfo Pérsico.

O regime iraniano tem autorizado apenas a navegação de embarcações ligadas a países não hostis, represália que provocou uma disparada dos preços de commodities energéticas nos mercados internacionais — o petróleo ultrapassou a marca de US$ 110 por barril e atingiu o maior valor desde 2022.

Trump teria exigido do Irã o desmantelamento de seu programa nuclear, limitações no programa de mísseis e a reabertura de Ormuz, entre outros pontos, enquanto Teerã quer o fim das sanções contra o país, o fechamento das bases militares americanas no Oriente Médio e até indenizações pela guerra.

"O principal obstáculo para o fim do conflito reside no comportamento contraditório e nos pedidos irracionais da parte americana", disse neste sábado (28) o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, acrescentando que há um "ceticismo" na nação persa sobre as reais intenções de Washington, que deslocou milhares de fuzileiros navais para a região, prenunciando uma possível invasão por terra.

Enquanto isso, as trocas de hostilidades prosseguem cotidianamente: as Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram uma série de ataques neste sábado contra Teerã, que reagiu disparando um míssil balístico no deserto de Negev.

O Irã também atacou uma base aérea americana na Arábia Saudita e deixou 12 militares dos EUA feridos, dois deles de forma grave. O conflito ainda se alastrou pelo Líbano, onde cerca de 1,2 mil pessoas morreram na ofensiva israelense contra o Hezbollah, que entrou na guerra para vingar a morte de Ali Khamenei, aliado histórico do grupo xiita.

Também neste sábado, os houthis, grupo financiado pelo Irã e que controla parte do Iêmen, reivindicaram o primeiro ataque contra Israel desde o início do conflito no Oriente Médio. A milícia diz ter lançado mísseis contra alvos militares israelenses, mas os projéteis foram interceptados. (com Ansa)

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