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Irã jura vingança após Khamenei morto em ataques dos EUA e Israel

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Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 01/03/2026 às 06:59

Alterado em 01/03/2026 às 09:13

Iranianos choram nas ruas a morte de Khamenei Foto: Majid Asgaripour/Wana

'Vingança é um dever que o Irã cumprirá', diz o presidente Masoud

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, disse em um comunicado que Teerã vê a vingança como seu "direito e dever legítimos", e fará o possível para cumprir esse dever. A mídia estatal informou que o primeiro vice-presidente Mohammadreza Aref ordenou que ministros e governadores garantissem que a administração do país funcionasse sem interrupções em tempos de guerra.

No Paquistão, confrontos em Karachi entre policiais e manifestantes que romperam o muro externo do consulado dos EUA deixaram nove mortos. Repórteres da Reuters ouviram sons de tiros e viram gás lacrimogêneo sendo disparados nas ruas ao redor do complexo. O Paquistão tem a maior população muçulmana xiita depois do Irã. 

Alguns iranianos gritaram de alegria e agitaram bandeiras pré-revolucionárias nas ruas, comemorando a morte do líder supremo.

A Emirates Airlines informa que suspendeu todas as operações de e para Dubai até às 15h de segunda-feira.

As companhias aéreas continuam a cancelar voos pelo Oriente Médio neste domingo (1º), já que grande parte do espaço aéreo da região permanece fechada.

O Aeroporto Internacional de Dubai sofreu danos durante os ataques retaliatórios do Irã, enquanto aeroportos em Abu Dhabi e Kuwait também foram atingidos.

40 dias de luto

"Com o martírio do líder supremo, seu caminho e sua missão não serão perdidos nem esquecidos; pelo contrário, serão levados adiante com maior vigor e zelo", disse um dos apresentadores da emissora estatal.

O governo iraniano decretou 40 dias de luto e uma semana de feriados públicos por Khamenei, que era guia supremo desde 1989.

Já a Guarda Revolucionária, braço ideológico das Forças Armadas, prometeu "punição severa" para os "assassinos" do aiatolá.

Crise no mercado do petróleo

Salvo uma resolução rápida, os preços do petróleo provavelmente terão altas acentuadas quando as negociações abrirem na manhã dessa segunda-feira (2).

A escala da interrupção provavelmente será determinada pela duração do conflito com o Irã, mas, por enquanto, a ameaça e a incerteza já são suficientes para impactar severamente os fluxos da região, que representa 20% do fornecimento global de petróleo.

Os preços do petróleo bruto Brent de referência subiram nas últimas semanas para cerca de US$70 por barril, seu maior valor desde agosto de 2025.

Por enquanto, não há danos confirmados à infraestrutura de petróleo e gás devido a ataques retaliatórios iranianos.

O risco de que petroleiros fiquem presos dentro do Golfo, ao norte do Estreito de Ormuz, ou que embarcações possam ser alvo, já é suficiente para forçar produtores, comerciantes e embarcadores a repensar os movimentos de petróleo e gás.

A escala dos ataques dos EUA e Israel, e a linguagem de Trump, sugerem que Washington se prepara para uma campanha militar sustentada.

Mas mesmo sem um cenário pior possível, o conflito já está prestes a interromper o fornecimento vital de energia do Oriente Médio de maneiras não vistas há décadas.

 

(Editoria de Internacional do JORNAL DO BRASIL com agências)

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