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EUA declaram na ONU que 'não estão ocupando' Venezuela
Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 05/01/2026 às 15:53
Alterado em 05/01/2026 às 17:21
Embaixador Mike Waltz Foto> Ansa/Getty Images
O embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, esclareceu durante a reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, realizada nesta segunda-feira (5), que Washington "não está ocupando a Venezuela", após a operação militar que capturou o presidente Nicolás Maduro, acusado pelo governo americano de narcotráfico.
No entanto, seu homólogo venezuelano, Samuel Moncada, denunciou a "flagrante violação" da Carta da ONU e do direito internacional por parte dos americanos.
"Não estamos ocupando a Venezuela; foi uma operação policial. Em cumprimento a acusações legítimas de décadas atrás, os EUA prenderam um narcotraficante que agora será julgado no país, sob o império da lei, por crimes cometidos contra o nosso povo nos últimos 15 anos", declarou Waltz.
Ele ainda acrescentou que Maduro, "um presidente ilegítimo", foi indiciado "por um júri popular e enfrenta acusações criminais muito graves".
"As provas contundentes de seus crimes serão apresentadas abertamente", enfatizou o embaixador americano.
Pouco antes de discursar no Conselho de Segurança, Waltz defendeu à imprensa a operação militar dos EUA na Venezuela, baseando-se no artigo 51 da Carta da ONU para justificar a ação como "legítima defesa", após Washington ser acusado de ter "desrespeitado" o documento por diversos atores internacionais, além de Caracas.
O artigo citado afirma que nada "deve prejudicar o direito inerente à legítima defesa individual ou coletiva em caso de ataque armado contra um membro das Nações Unidas".
"Neste caso, temos um chefão do narcotráfico, um líder ilegítimo indiciado nos EUA, que está colaborando com países como China, Rússia, Irã e grupos terroristas como o Hezbollah, trazendo drogas, criminosos e armas para os EUA e ameaçando invadir países vizinhos", argumentou Waltz à Fox News.
Segundo ele, a Venezuela "não pode continuar a ter a maior reserva energética do mundo sob o controle de adversários dos EUA, sob o controle de líderes ilegítimos, sem nem trazer benefícios ao povo venezuelano".
Como representante de Caracas nas Nações Unidas, Moncada exigiu "o respeito à imunidade [de chefe de Estado] de Maduro, bem como sua libertação e retorno seguro".
"Instamos o governo dos EUA a respeitar integralmente a imunidade do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores, bem como a sua libertação imediata e o seu retorno seguro à Venezuela", afirmou Moncada na sessão de emergência do mais alto órgão da ONU.
Mesmo com as justificativas, Washington não tem apoio internacional amplo, a começar pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, que também acusou o governo de Donald Trump de violar as normas do direito internacional, ao lembrar que "a Carta da ONU proíbe a ameaça ou o uso da força contra a integridade territorial ou a independência política de qualquer Estado".
"O Estado de Direito deve prevalecer", reforçou Guterres na reunião do Conselho.
Aliados do antigo governo de Maduro, que estava em seu terceiro mandato após permanecer no cargo em um pleito eleitoral considerado ilegítimo pela oposição e por boa parte de outros países, Rússia, China e Irã criticaram a operação americana em Caracas, que matou dezenas a fim de capturar o então chefe de Estado.
"Não temos, e não podemos ter, qualquer justificativa para os crimes cinicamente perpetrados pelos EUA na Venezuela", declarou o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, ao Conselho de Segurança, mencionando ainda "violações de todas as normas do direito internacional", que também foram citadas por Pequim e Teerã.
"Apelamos ao líder dos EUA para que liberte imediatamente o presidente legitimamente eleito de um Estado independente, Nicolás Maduro, e sua esposa. Qualquer conflito entre as partes deve ser resolvido por meio do diálogo", reforçou Nebenzia.
Enquanto o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã chamou a captura de Maduro de "sequestro" , a China, uma das maiores compradoras do petróleo venezuelano, frisou, em seu comunicado diário, que "seus interesses serão protegidos pela lei", ao mesmo tempo que demonstrou apoio à reunião do Conselho de Segurança.
Já a França, durante a sessão, acusou os EUA de "contradizer os princípios da Carta [da ONU], incluindo o de respeito pela independência e integridade territorial dos Estados", o que "mina os fundamentos das Nações Unidas e enfraquece a paz e a segurança internacionais".
Por outro lado, por mais que o Reino Unido tenha defendido "o compromisso com o direito internacional e os princípios consagrados na Carta da ONU, que são essenciais para a manutenção da paz, da segurança e do Estado de Direito em todo o mundo", o embaixador britânico nas Nações Unidas, James Kariuki, também lançou críticas ao governo Maduro, que "criou níveis extremos de pobreza, repressão violenta e o colapso de serviços essenciais".
"O Reino Unido há muito tempo considera ilegítima a reivindicação de Maduro ao poder", destacou Kariuki, acrescentando que "anseia por uma transição segura e pacífica para um governo legítimo que reflita a vontade do povo venezuelano, que merece uma administração que represente seu voto e assegure um futuro mais estável e próspero" ao país sul-americano.