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Papa critica neoliberalismo e lei do mais forte

Francisco enviou mensagem para Pontifícia Academia para a Vida

Por JB INTERNACIONAL
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Publicado em 03/03/2025 às 10:57

Alterado em 03/03/2025 às 10:57

Ainda internado com pneumonia, o papa Francisco enviou uma mensagem à Assembleia-Geral da Pontifícia Academia para a Vida, órgão científico do Vaticano, na qual critica o neoliberalismo e aponta a "progressiva irrelevância dos organismos internacionais".

Divulgado nesta segunda-feira (3), o texto foi preparado em 26 de fevereiro e é assinado do Policlínico Gemelli, em Roma, uma forma de o pontífice de 88 anos mostrar que continua ativo, apesar de seu delicado estado de saúde.

Na mensagem, o Papa aborda o conceito de "policrise", ou seja, uma multiplicidade de emergências simultâneas, como "guerras, mudanças climáticas, problemas energéticos, epidemias, fenômeno migratório e inovação tecnológica".

"O entrelaçamento dessas questões críticas, que afetam simultaneamente diferentes dimensões da vida, nos leva a questionar o destino do mundo e nossa compreensão dele", declarou Francisco.

Mas, segundo Jorge Bergoglio, "não será a tecnocracia que nos salvará".

"Apoiar uma desregulamentação utilitarista e neoliberal planetária significa impor a lei do mais forte, e esta é uma lei que desumaniza", acrescentou.

Na mensagem, o pontífice também indicou uma "progressiva irrelevância dos organismos internacionais, que são minados por posturas míopes, preocupadas em proteger interesses particulares e nacionais".

"No entanto devemos continuar a trabalhar com determinação em prol de organizações mundiais mais eficazes, dotadas de autoridade para garantir o bem comum mundial, a erradicação da fome e da miséria e a defesa dos direitos humanos fundamentais", salientou o Papa, que defendeu um "multilateralismo que não dependa das circunstâncias políticas mutáveis ou dos interesses de poucos".

"Trata-se de uma tarefa urgente e que diz respeito à humanidade inteira", disse.

Francisco está internado desde 14 de fevereiro com pneumonia bilateral e ainda apresenta um quadro clínico delicado, porém estável nos últimos dias. (com Ansa)

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